14 de dez de 2010

Conto do remorso

Ela acordou e fixou o olhar n’Ele dormindo ao seu lado. Tiveram uma transa de reconciliação e logo dormiram. Ela continuava olhando pra ele e lembrando de quando suas transas faziam qualquer cama ficar pequena. Seus corpos incendiavam em um prazer mútuo e ainda era pouco. A paixão dos dois ardia sobre a pele. “Por que chegamos a esse ponto? Por que me deixei envolver?”

Sentia-se suja, sentia-se falsa. Entregou-se simplesmente pelo prazer e pela atração, sentimentos que vêm e logo vão. Tentava se convencer de que quem não presta assistência abre mão pra concorrência pra sentir-se menos culpada, mas não adiantava. Do lado d’Ela estava o homem que Ela ama. Ele. Ele realmente anda estressado, trabalhando mais que o habitual e Ela entendia que era por uma boa razão, porque ele simplesmente pensa no futuro deles, dos dois, d’Ele e d’Ela... Quem sabe para logo terem filhos. Sentiu-se um monstro. Ela não conseguia aceitar que fizera aquilo e que o remorso em poucas horas já havia tomado conta d’Ela. Beijou-o na testa e saiu para escovar os dentes e fazer o café da manhã. Ele ainda tinha 30 minutos de sono. Na mente a música que ela sempre cantava pra ele quando não entendia as razões por amar tanto aquele homem que do nada apareceu e mudou o rumo de sua vida. Parecia fazer mais sentido:

Sobre o amor, e o desamor, sobre a paixão,
Sobre ficar, sobre desejar, como saber te amar,
Sobre querer, sobre entender, sem esquecer,
Sobre a verdade e a ilusão,
Quem afinal é você,
Quem de nós vai mostrar realmente o que quer,
O coração nesse furacão, ilhado onde estiver,
O meu querer é complicado demais,
Quero o que não se pode explicar aos normais,
Sobre o porquê de tantos porquês,
E responder,
Entre a razão e a emoção
Eu escolhi você!”

Foi Ele quem Ela escolheu pra dividir sua história, não poderia carregar aquela culpa. Ele não merece ser magoado por uma carência dela. Sentiu que a carência a deixou acéfala. Sentia-se cada vez pior. Correu uma lágrima e rapidamente foi escondida com as mãos.

Ele chegou para o café e encontrou a mesa maravilhosamente arrumada. “Ele nem vai notar”. Viu-a na frente da pia terminando de lavar alguns copos, parecendo evitar olhar para Ele, que se aproximou, abraçou-a e sussurrou no seu ouvido:

- Eu te amo.

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