26 de nov de 2010

Conto dos braços malhados

Outra noite quente na academia, ela ta de tpm e com fome. Nada de anormal, nada que cause uma queda de pressão, mas queria comer algo bem gostoso, frito, grande... uma gordice, tipo X-Tudo com muita mostarda. Nada de H2O ou Coca Zero, queria uma cerveja gelada... Mas ao invés disso tava lá, toda suada, fazendo força naquele maldito supino. "Pra quê?", pensava ela... Quando experimenta uma calça, não é com os braços que se preocupa. Quando vai de biquíni á praia, não é pra ver o bíceps que ela se contorce de costas no espelho.
E o pior da seção de tortura: ele. Agora resolveu que vai ser o personal trainer dela, "ajudando" a malhar. Está posicionado atrás do aparelho, contando os movimentos e falando palavras de incentivo como "vai amor, só faltam três". Ela só conseguia pensar no som de “Bili Rubina”:

"Meu amor, eu te odeio
Você me perturba
E um dia ainda vou conseguir te matar

Meu amor, não sei o que eu sinto
Tô num labirinto
E esqueci de trazer um fio prá retornar

Mas meu bem, tudo bem
Meu bem, tudo bem
Eu juro que levo teus olhos castanhos comigo

Meu amor, não fale comigo
Sou teu inimigo
E um dia ainda vou conseguir te matar

Amor, cale tua boca
E tire tua roupa, benzinho
E vamos acalmar nossa dor

Mas meu bem, tudo bem
Meu bem, tudo bem
Eu juro que levo teus olhos castanhos comigo"

E ele ainda ali, animado, achando que ela contorcia o rosto por fazer força pra levantar o peso. Mas era raiva mesmo... ele, como sempre, cheio de boa vontade, querendo ajudar. Foi o primeiro homem que a convenceu a malhar, mesmo dizendo que ela é a maior gostosa da face da terra. Ela sabe que não é, mas ele a faz acreditar nisso sempre. Ele a mantém com a auto-estima lá em cima... "bora, amor, é o último". Ela sorriu de leve, respirou fundo, terminou o exercício e passou para o próximo aparelho. "Zeus, como eu odeio malhar braço..."

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