12 de nov de 2010

Conto da pergunta que não quer calar

Noite de terça-feira, zapeando os vários (e inúteis) canais à espera da NBA, ansiosos pelo jogo entre Lakers x Bulls, conversando sobre a beleza da Luciana Gimenez e a falta de beleza da Suzana Vieira... Benoliel (ela pensa "credo, que nome feio”, mas não comenta, enquanto avalia os personagens da novela) e sua "gatinha" (ele pensa "realmente, ela é uma gata, mas minha princesa tem os cabelos bem mais bonitos”) conversam, trocam declarações e um beijo. Parece ser o primeiro... Que saudade da sensação do primeiro beijo, ela pensa. Olha pra ele, que voltou a zapear os canais, com cara de paisagem.

"Como foi bom nosso primeiro beijo"...

Mas o que mudou? Por que agora ela olha aquela boca e... nada? Não sente mais aquela ânsia louca de ficar grudada naqueles lábios? Ela ainda se sente tão bem dormindo naquele peito com poucos pêlos, com aqueles braços
acariciando suas costas... Sente muita segurança no abraço dele. Mas não tem mais paciência pra beijos intermináveis.

Lembrou do jovem casal do parque, naquele final de tarde. E lembrou-se do que sentiu quando o beijou pela primeira vez. Parecia que não havia ninguém naquela praça à beira da praia em pleno janeiro. Chuviscava, estava quente.
Não lembra mais qual era a música, se é que havia música...


Ele continua trocando de canal e encontra um clip do Evanescence:

"I'm so tired of being here
suppressed by all of my childish fears
and if you have to leave
i wish that you would just leave
because your presence still linger here
and it won't leave me alone

These wounds seem to heal
this pain is just too real
there's just to much that time cannot erase

when you'd cry i'd wipe away all of your tears
when you'd scream i'd fight away all of your fears
and i've held your hand through all of these years
but you still have all of me"

Ela tenta resgatar aquela boca seca, o coração saltitante no peito, o tremor nas pernas, o arrepio que foi subindo (e descendo) pela coluna enquanto as mãos dele tocavam suas costas. Lembrou com tanta saudade da
primeira vez que ele a segurou pela nuca, que chegou a fechar os olhos e dar um pequeno suspiro, quase um gemido. Ele, sem perceber que ela estava com os olhos fechados e a respiração um pouco ofegante, comenta "você gosta dessa música, né? Se importa de eu ver se o jogo já começou?"

Música? Jogo? Ah, sim, pode trocar, sem problemas. Por Deus, pra onde foi toda aquela paixão?

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