22 de out de 2010

Conto de uma tarde qualquer

Mais uma vez, ele... e ela. Local: no parque, centro da cidade.

Estavam os dois sentados na grama ao pé de uma árvore. Ele com seu mp3 ouvindo entre risos, o “Café das 5”. Ela ressonava ao seu lado. Mãos dadas. Ela acorda e aperta a mão dele, que olha pra ela, e sorri. Ela retribui o sorriso.

À frente deles corre uma menina ao encontro de um menino. Deveriam ter aproximadamente 17 anos. Na mesma hora, ela... e ele entenderam: o amor acontecia ali, aos seus olhos.

Então pensaram, cada um em sua individualidade, bem naquela de quem pensa com os próprios botões: “Porque nunca senti isso?”

Ninguém entenderia. Ele, acostumado com a presença dela, o jeito que ela sorria, como resolvia as coisas, tinham gostos parecidos, ela era uma louca tão centrada nas coisas, que ele via nela uma raridade. Ela gostava do abraço dele, do cheiro. Gostava do humor, de como ele era independente, responsável, era seu porto seguro.

O amor, ele e ela duvidavam que existia, mas enxergaram na sua frente essa prova. O amor ao vivo, acontecendo, naquele beijo tão apaixonado. “Porque não sinto a necessidade do beijo dela?” “Porque não sinto necessidade do beijo dele?”, era o que pensavam, ele e ela, enquanto levantavam-se para ir embora.

De mãos dadas, conversando, juntando-se lado a lado num abraço, rindo e conversando sobre o dia que tiveram. Ouvindo a “Hora do rush”, Mauro Borba, o locutor, toma alvejante e coloca Lulu Santos. Ela com o fone dele na orelha direita, ele com o fone no ouvido esquerdo, cantando baixinho:

Eu não pedi pra nascer
Eu não nasci pra perder
Nem vou sobrar de vitima
Das circunstâncias
Eu tô plugado na vida
Eu tô curando a ferida
Ás vezes eu me sinto
Uma mola encolhida
você é bem como eu
Conhece o que é ser assim
Só que dessa história
ninguém sabe o fim
você me leva pra casa
E só faz o que quer
Eu sou teu homem
você é minha mulher
E a gente vive junto
E a gente se dá bem
Não desejamos mal a quase ninguém
E a gente vai à luta
E conhece a dor
Consideramos justa

Toda forma de amor

Eles descobriram com o passar do tempo que o que sentiam era amor, sim, o mais inocente, puro e doce amor. A paixão talvez não habitasse naqueles coraçõezinhos, não fazia nem ele ou ela explodirem um sentimento dentro do peito, não chegavam ao ponto de enlouquecer de saudade, não sentiam falta de ar quando estavam distante, mas eles se amavam...

O acaso (para quem acredita) fez com que conhecessem, um ao outro, e esse mesmo acaso (repito, para quem acredita) faz com que estejam juntos até hoje. Para eles, a certeza que isso já estava escrito na vida de cada um. O destino já havia se encarregado de marcar o primeiro encontro deles, o papo dela e a atenção dele se encarregaram do resto.

Ele a ama. Ela o ama.

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