16 de fev de 2012

O homem dos meus sonhos

Eu já havia perdido as esperanças de encontrar esse homem. Sonho com ele desde sei lá que idade, quando comecei a me interessar por meninos. Tinha o garoto mais bonito da sala de aula, mas nele faltava o ar de cafajeste. Sim, pois homem tem que ter cara de cafajeste.
Depois o amigo do meu irmão, cabelos longos, cara de mau. Tocava guitarra, tinha tatuagem, fumava e, por isso, me desinteressei. Sempre achei cigarro uma fraqueza, e homem pra mim pode ser no máximo ex-fumante.
Na faculdade me apaixonei pelo professor de Teoria e Prática Cambial. Alto, jeito de atleta, sorridente, um linguajar invejável, sotaque de paranaense. Isso transformou a apaixonite em um pedido de mudança de curso, porque homem pra mim tem que ter sotaque de gaúcho ou paulista. Ou sem sotaque, tipo o Willian Bonner.
Em meu primeiro estágio tive um caso com o gerente de RH. Pensando friamente nesse romance, acho que foi por isso que consegui a vaga, mas não importa mais. Ele tinha olhos verdes, cabelos arrepiados, alto como o professor de Teoria e Prática Cambial, bonito como o colega da escola, cara de cafajeste como o amigo do meu irmão, mas meio gordinho. Não dava, gosto de canalhas, e todo canalha é magro.
Acabei me casando com um cara super bacana que conheci na sala de espera do fisioterapeuta, ele havia caído de moto e estava recuperando os tendões das pernas, eu tratava minha eterna condromalácea por trabalhar sentada e usar salto alto quase que o tempo todo. Não muito bonito, estatura mediana, fala suave, gestos bruscos, às vezes some durante a tarde e até acho que ele me trai. Não me importo, porque eu tenho um caso extraconjugal com o homem dos meus sonhos.
Alto, magro, bonito, olhos verdes, cabelos bagunçados e com alguns fios grisalhos típicos de um bom cafajeste, sotaque forte de paulistano da capital, baixista de uma famosa banda de rock, ex-fumante, ex-viciado. Temos encontros tórridos, ás vezes conseguimos viajar para algum lugar não muito distante, apenas pra tomar um vinho em um lugar diferente. Longos beijos, abraços apertados, bilhetinhos apaixonados, emails com remetente falso, torpedos enviados pelo site da operadora para não identificar seu número, gargalhadas solitárias ao lembrar de brincadeiras picantes.
Infelizmente não podemos transformar essa relação fortuita em algo oficial por uma simples razão: encontrei o homem dos meus sonhos nos meus sonhos.

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