Lembra da Juju? É, aquela guria das Histórias da Juju, que você lê aqui no Me Dá Um Desconto, lembra? Aquela engraçada, estabanada e que lembra um pouquinho de cada um de nós?
Pois é, a Juju virou livro!
E o ebook tá com um preço tão bacaninha, quem sabe você se reserva esse direito à diversão?
Tônia Werste e Ana Gouvêa agradecem!
27 de jun. de 2011
As Histórias da Juju
Anatonia, em
Ana Gouvêa
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Todos os Contos de Juju
18 de mai. de 2011
O fim da chuva
Quando essa chuva passar, eu espero que também passe a dor que sinto em ficar ouvindo cada pingo que cai sobre o telhado da minha casa.
Eu sinto como se a solidão me apertasse os ossos.
E a vontade de fugir é mínima, pois, não tenho mais forças. Simplemente desisti dessa luta, nem que agora a única coisa que me resta é esperar.
Esperar o tempo. Aprender a esperar. Aprender.
Saber que tudo que fiz até aqui foi em vão.
Ficam minhas lágrimas, a chuva e a solidão. Fica o meu cansaço, a amargura, e a esperança pelo sol.
Que haja sol!
Anatonia, em
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16 de mai. de 2011
A Rita matou meu sorriso
Eu passei minha infância toda vendo a Rita passar. Ela brincava com os meus amigos, estudava na mesma escola, ia no mesmo pediatra, mas nunca me deu bola. Se bem que eu também nunca tive coragem sequer de me aproximar.
Na adolescência a gente estudava em salas diferentes, mas ela namorava meu amigo. Depois namorou meu primo, que foi um sacana e a fez muito infeliz. Fizemos cursinho juntos, eu sentava no fundo da sala só pra ficar reparando em todos os movimentos da Rita. Sabia quando ela estava disfarçando pra mandar torpedo em horário de aula, sabia quando estava cochilando, sabia as matérias que ela ia bem, sabia até quando ela estava menstruada e tinha cólicas.
Eu sempre amei a Rita. Seu sorriso sempre meu assunto, sempre meu sonho, sempre meu desejo. Cada novo namorado da Rita era como uma punhalada no meu peito, cada beijo que eu assistia era um gole de fel que eu engolia, mas não deixava de olhar pra ela.
Rita, sempre Rita.
Eu passei no vestibular, ela não. No ano seguinte ela tentou de novo e conseguiu. Era minha caloura. “Minha”, nunca, mas a sempre minha Rita continuava sem notar que eu existia. Dias a fio ela fazia perguntas pelos corredores, como sempre perdida com o seu non-sense de direção. Eu sempre me dizia que a Rita é uma canhota destra, sua esquerda fica à direita. Sua Rosa dos Ventos mais se parece um Cravo, ou uma Tulipa.
A Rita... A minha Rita.
Festa de confraternização do curso, ela surgiu como uma deusa evanescente. Sensualidade brotando pelos poros, lábios entreabertos em um sorriso que nunca foi pra mim. Minha Rita, suas pernas semidescobertas, entrecoxas e entrepeitos que eu só entreolhava. E a cada gole que sorvia, eu me imaginava um copo, um canudinho, um gargalo de garrafa longneck que recebia o doce toque de seus lábios. E bebia.
Eu olhava para a Rita, a minha Rita, e bebia. Cada mexer de cabelos da Rita era um novo copo que eu servia e sorvia. Cada passo da Rita me levava a seu encalço, até que, quando percebi, estava à sua frente.
Ela sorriu, olhou para a garrafa em minhas mãos e, sem cerimônia, tomou-a para si. Senti-me no direito de agir da mesma forma, tomei-a para mim. A Rita, a garrafa não sei onde foi parar.
Não lembro bem o que houve depois. E não me sinto capaz de transcrever tudo o que aconteceu depois, o turbilhão que tomou conta de mim. Mas jamais esquecerei as primeiras palavras que Rita me dirigiu, pela primeira vez falando comigo intencionalmente: “ Engravidei. Vou tirar hoje à noite, você vem ficar comigo”? Eu fui, claro, sem qualquer outra pergunta. Sempre soube seu endereço, sempre soube tudo da minha Rita.
Ao chegar, ela já estava dormitando, anestesiadamente linda. Sua amiga – acho que jamais me lembrarei de seu nome, ou esquecerei seu rosto – já aplicara os medicamentos e, sem dizer nada, entregou-me duas folhas de papel, uma impressa e outra escrita à mão.
A impressa me dava instruções para os procedimentos que viriam a seguir, uma resposta para cada possível pergunta. Praticamente um FAQ do aborto doméstico. A outra folha, escrita com letras arredondadas e linhas impressionantemente tortas, era uma carta da Rita. Minha, sempre minha Rita, escrevera uma carta para mim. Dolorosa, quase insuportável, dura e direta.
“Não sei seu nome, e mesmo que soubesse teria esquecido. Bem feito pra mim por transar sem camisinha com um desconhecido, e quero que você saiba que não quero te ver quando eu acordar. Fique ao meu lado durante o procedimento, isso também é culpa sua e você tem que participar, mesmo sabendo que a dor física é só minha. Não sei se o arrependimento também é seu, mas sei te dizer que, se arrependimento matasse, eu estaria dura e fria à sua frente. Tenho um tumor no seio direito, sou hipertensa e alérgica a vários medicamentos, não posso ser mãe e não quero ser nada daquilo que você falou naquela noite. Não quero ser idolatrada, não quero ser admirada, não quero ser musa inspiradora, não quero nada de você a não ser distância. Felizmente ninguém nos viu juntos, espero que não tenha contado pra ninguém. Não me dirija a palavra quando me encontrar sei lá onde você me veja, não me importo com seus passos. Me deixe em paz”.
Estou a seu lado agora. Seu rosto, lindo e sereno, não deixa transparecer a dor que sentiu. Seu corpo, perfeito e frio, parou de tremer. Seus gritos cessaram, a convulsão também.
Ficarei a seu lado, minha Rita, minha eterna Rita, até que a ambulância chegue e leve seu corpo. Depois disso nada mais importará.
Anatonia, em
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Todos os Contos de Querido diário
7 de fev. de 2011
Nem todo dia é igual
Exame de rotina com meu gineco, que por sinal já tem um nome bastante lindo, ou seja, eu não poderia ter sido recomendada para ir a outro. Dr. Sosigenes.
Pode isso, Deus? Falando em Deus, como tá quente na rua, é capaz de eu chegar no consultório e o Dr. Sosi me pedir pra tomar um banho antes de ir pra consulta.
Céus! Quem eu encontro? Aquele que vem lá tem que ser o Lanolino, aquele andar inconfundível, quebradinha pra esquerda, pra direita, pra esquerda, póem, póem, póem, póem. Aí, continua lindo mesmo depois de anos sem vê-lo.
- Juju, não acredito que tô te vendo, quanto tempo, guria?!
- Pois é, Lanô, uma eternidade mesmo... (e tu continua per-fei-to)
- Pensei em ti esses dias
- Ah é? Sentiu saudades?
- Sempre, mas na verdade tava querendo saber daquele teu amigo de infância que vocês viviam juntos, o Claudimax. Tem notícias dele?
- Ah sim, sempre que posso ligo pra ele, está bem...
- E tá disponível no mercado?
- Sim, ele...
- Então pergunta pra ele se ele topa sair comigo um dia desses. Juju, foi um prazer falar contigo, pega esse cartão com meu telefone e qualquer novidade do Clau me liga, amiga.
MEUDEUS! Esse mesmo Deus que eu chamei no início da história... quer dizer que o Lanolino é gay? Que o Mário, meu lindo namorado não saiba disso, MAS QUANTO DESPERDÍCIO!!! E outra, no rabisteco do Lanô que vou apresentar o Claudimax, ele é muito macho... acho. PQP, vou ter que perguntar isso pra ele?
Vou pro meu ginecologista, sem medo de ser feliz!
Anatonia, em
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Todos os Contos de Juju
27 de jan. de 2011
Família que se cuida unida
Ai ai, coisa boa. Descobri uma manicure ma-ra-vi-lho-as que atende a domicílio, sugestão da Alicinha Francine. O nome é um tanto quanto esquisito, Rafilda, mas por que haveria de ser diferente né? Espero que ela não se atrase, a mãe chamou a cabeleireira e a depiladora também, essa festa de amanhã promete!
(toca a campainha)
- Bom dia, sou a Agnônima, a dona aí me chamou pra depilar.
Ai Zeus, eu não posso rir. EU NÃO POSSO RIR!
- Entra, Dona Agnônima, a mãe já desce.
- Ah, é sua mãe? Nussa, parecem irmãs.
Por que será que não fui com a cara dessa doida?
(mãe chama, do alto das escadas)
- Jujuuuuuuuuuuuuuuuuu, vai te depilando, tõ terminando de lavar o cabelo, a guria da escova já tá aqui!
Que coisa, nem escutei a campainha. Bom, tá.
- Ô Agnônima, começa por mim então, vou fazer axila, meia perna e virinha.
- Frente e verso, Juju?
- Me chama de Cris. Não, só frente.
Bem capaz que vou mostrar meu lindo derrière pra uma quase anônima.
(quase 1 hora depois, uma Juju totalmente suada sobe pra tomar banho, enquanto sua mãe desce pra se depilar.)
Maldita desconhecida, quase me arrancou a pele junto com os pelos, ninguém nunca falou pra ela de termômetro? Vou ficar com o sovaco vermelho até o fim dos tempos!
- Ô fia, já lavou os cabelo? Bora escovar?
Ai que delírio, uma cabeleireira semi-analfabeta, tudo o que eu mais queria na vida!
- Já sim, vamos descer que é mais ventilado lá na sala e a manicure deve estar quase aí.
- Você que manda, benhê.
Toca a campainha.
- Bom dia, sou a Rafilda, a dona Cris me ligou pra...
- Oi Rafilda, entra, sou a Cris. Se importa de fazer minhas unhas enquanto a outra moça escova meu cabelo? A mãe se confundiu com os horários...
- Sem problemas, costumo fazer esse serviço com as minhas irmãs. A gente atende em conjunto, fica até mais fácil.
- Ah, que legal, família que trabalha unida né? Então, a mãe tá lá dentro com a Agnônima, a depiladora, e essa aqui é a... Oi, como é o teu nome?
- Larúbia? Hahahahhaha
- Rafilda! Se a gente tivesse combinado não dava tão certo, né?
- Ah, vocês são irmãs?
- Somos, e a Agnônima é a mais velha! Hahahahha
Que coisa...
(Juju sentada com os braços levemente abertos pra aliviar a queimadura da depilação, cabeça sendo puxada pra todos os lados pela Larúbia, pernas levantadas para que Rafilda pinte suas unhas, sua mãe entra na sala)
- Mãe, olha que bizarro, a Rafilda e a Larúbia aqui são irmãs da Agnônima!
- Ai que divertido!! E olha que legal, a gente realmente parece irmãs!
- Como assim, mãe, já tá bêbada? Ou ainda, sei lá...
- Não, bobinha, a Agnônima me falou que tu já tem teus primeiros pentelhinhos brancos! Quer tirar foto da gente de irmãs gêmeas de pêlos? Ah, não vai dar, a Agnônima arrancou todos, tu sabe que eu gosto de...
- Ai mãe, para, me deixa morrer em paz!
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26 de jan. de 2011
Anjos caídos
Anatonia, em
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Todos os Contos de Contos aleatórios
24 de jan. de 2011
Juju em um breve momento
“Quando eu conto as coisas que acontecem comigo as pessoas pensam que é mentira, brincadeira e que estou tentando ser engraçada. Na maioria das vezes eu não acho graça alguma. Não achei engraçado saber que uma bergamota que perdeu a briga para a gravidade se suicidou no meu ombro quando eu estava passando pela árvore. Tem noção do cheiro? Agora tenho que ficar lavando essa imundice que manchou minha camiseta do Kiss. Ah inferno”
- Julieeeeeeeeeeeeeetaaaaaaaaaaaa ta ta ta, você tem cara de bocaberta ta ta
- Falando em inferno... o que tu quer, Paulo Afonso?
- Tenho um amigo meu que é alienígena. Veio de um planeta lá com o nome estranho que não lembro.
- Não, guri. Essa é a tua história, não confunda as coisas.
- Mana, eu to falando sério.
- Eu também, seríssimo. A mãe te achou dentro de uma abóbora, tu era verde e tinha antenas, gastamos milhões pra te deixar parecido com humanos, mas não tivemos muito êxito. E somos classe média agora por tua causa.
- Manhêêêêê
“Tem dias que não to com paciência, mas meu irmão consegue ao menos mexer com a minha criatividade. Não consigo ter pena, puta que o pariu, viu?! Ele sabe me azucrinar. Os irmãos dos outros são sempre mais legais. Só o Paulo Afonso discorda, tenho certeza.”
Anatonia, em
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20 de jan. de 2011
O show do Fábio Jr.
Ai, xiriguidum, Fábio Jr na cidade!! Ta, é brega, ta com a cara amassada, mas é tão charmoso! Fora que o Mário é tri romântico, ele
vai adorar o presente.
- Oi amor! Que tal a gente ir no show do Fábio Jr.?
- Nossa, ia ser muito legal, quando é?
- Ué, tu não ta sabendo? É amanhã!
- Epa, tô dentro!
- Então ta, presente meu, eu compro os ingressos!
- Pó bonecrinha, obrigado, to tri sem grana, final de mês sabe cume né...
Odeio quando ele me chama de bonecrinha, mas tudo bem. Hmmmm, ingresso caro pacas, será que o marido da Vivi não me consegue umas cortesias?
Azar, vou ligar pra ela.
- Bom dia flor do dia, como ta?
- Oi Cris, beleza? To bem, e você?
- To bem, amiga. Lembrei de ti, vim pra clínica toda trabalhada na
franja, espero que o tempo fique firme até amanhã pra não estragar a
chapinha. E aí, tu vai no show?
- Vou sim, ce sabe que eu tenho que ir nos eventos né...
- Sei sim, até por isso te liguei. Será que o japonês negão me consegue duas cortesias? Queria ir com o Mário...
- Ah, consegue sim. Aliás, tem duas aqui comigo, a gente se encontra
na entrada, pode ser?
- Ai xiriguidum, claro que pode!
(na entrada, esperando os amigos)
- Bonecrinha, por que tu chama o marido da Vivi de japonês negão?
- Amor, tu vai entender... Eles tão ali, ó. Oi Vivi, oi Alexandre!
- Oi gentes... Taí as cortesias, desculpa a correria mas a gente tem
que entrar, o pessoal da produção ta nos esperando pra coletiva com o
Fábio Jr.
- Aaaaaai que inveja!
- Ah é, vocês são fãs né? Então venham com a gente.
(Mário, cochichando pra Juju)
- Agora entendi, amor. O cara é japonês e é negão, doido isso hein?
- Pshhhhh! Vamos logo tirar foto com o Fábio Jr, ta ameaçando chuva e
chapinha da minha franja não agüenta água!
(baita fila)
- Ô casal, vocês entram logo depois dos irmão ali, ta?
- Certo moço, obrigada.
- Ah, só pra avisar, o pai deles é patrocinador, vai entrar um irmão
de cada vez pra fotografar.
- Mas tio, ta começando a garoar.
- E o quéco?
Casou com uma mafagafa e teve mafagaquequinhos... Droga, precisava ser especificamente os irmãos Vancler, Vancleide, Valzitânia, Valciara e Valcilene??
Anatonia, em
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17 de jan. de 2011
Juju e as redes (anti)sociais
Ué, quem é esse gatinho me seguindo no Twitter? Cris, segura tua onda, tu tem namorado! Ah, o Mário tá viajando, ele não fuça minhas coisas e paquera virtual não é chifre, #prontofalei. Que nomezinho esquisito! Azar, ele é tri bonitinho e dá umas tuitadas bem bacanas. Tá, vou seguir. Hmmmm, o gatinho mandou DM! Ai xiriguidum, tô me sentindo uma adolescente! Acorda Julieta Cristina, tu é praticamente uma adolescente mesmo, lembra que tá com uma mega espinha no nariz?
Bom, já olhei os emails, o Twitter, agora vou pro Orkut. Epa, o gatinho tá me adicionando aqui também! Eba, vou poder ver fotos! Droga, só tem o apelido esquisitinho... vamos ver os interesses...Epa, eu?? Jura que ali tá escrito “interesses: a Cris da turma de fisioterapia” ?? Ai xiriguidum, ele me conhece da faculdade!! Esse rosto não me é estranho, maldita memória! Cruzes, fiquei tão emocionada que esqueci de olhar a DM. “Cris, vait er uma festa à fantasia no sábado, quer ir comigo?”. Ai não, desenvolvi fobia desse tipo de festa, Deuzolivre. Vai que a mãe querir comigo, né? Xeu responder. “Obrigada, gatinho, mas sábado eu não posso. Fica pra uma próxima.”
Pronto, não me ofereci nem descartei. Grande Cris, dando cartadas certeiras! Eu deveria ter perguntado o nome, mas também tô ficando com fobia disso. Outra DM! “Que pena, tava louco pra te conhecer pessoalmente”. O que respondo?? Aieeeee! “Sem querer ser desmancha prazeres, mas eu tenho namorado, tu sabe né?”. Acho que agora ele não responde mais.
Tão lindinho ele, mas não dá pra ficar brincando com os sentimentos das pessoas. Que nobre que eu fui!
Bom, voltemos aos trabalhos. Twitter, Orkut, Facebook eu deletei. Falta MSN, esqueci de abrir! É Cris, a paixão opera milagres no ser humano, quem te viu, quem te vê! Ou melhor, quem não te vê mais online...
Gente! Para o mundo que eu quero descer antes que chegue no parque Tupy! Não é que o gatinho me adicionou no MSN também?? Vou aceitar mas deixar bloqueado. Credo, tô começando a me assustar! Quem será que deu meus contatos pro gatinho? Será que ele tem meu celular? Meda!
Falando em celular, cadê meu roxinho? Ah é, deixei na pochete, e a Glória Kalil que não me ouça, mas lá na clínica eu uso pochete. Ai G-Zuis, um sms sem assinatura, socorro! Ah, é do Mário. Ufa... vamos ver... “amor, vamos na festa à fantasia da minha família no sábado?”.Que coisa, dois convites pra mesma coisa, pior que esse eu não posso recusar. “Vamos sim, amor, vou procurar uma fantasia!” Certo que não vai ser de Coelhinha, né?
- Manhêêêêêêêê!!!
- Que tu quer, guria?
- Cadê tua fantasia de pirata?
- Transformei em Tiazinha, quer?
Cria, não imagina, não pensa!!
- Não. Tem outra?
- Tenho de enfermeira, colegial, professorinha, tigresa...
- Tem alguma que a bunda não fique de fora, mãe?
- Pra quê? Credo Julieta Cristina, tu tem cada uma!
Merda. Vou ter que alugar uma?
- Julietatá, tá me chamandoooooooo.
- Que tu quer, guri nojento?
- A tia Gláucia teve aqui e deixou a fantasia de cocker spaniel, lembra?
- Milagre!!! O Paulo Afonso foi útil uma vez na vida!! Cadê?
- Tá no roupeiro do porão. Fedendo, mas existe.
(e no sábado...)
- Amor, como tu tá linda de cachorrinha de madame!
- Gostou dos meus frufrus e lacinhos cor de rosa? Au au!
- Gracinha! Ainda bem que eu vim de domador, a gente até combina!
- Ah pois é, até porque Cocker Spaniel é uma raça perigosíssima! Que festa legal, hein: Oi tio Anacoluto, que boa ideia se vestir de livro!
- Dicionário, querida, dicionário.
Ai ai, por que não me surpreendo?
- Cris, queria te apresentar um primo meu. Leopoldo, essa é minha namorada, a Cris. Cris, esse é o Leopoldo, carinhosamente conhecido como Frodo.
Ai Zeus, onde escondo minha cara?? Ainda bem que as orelhas são grandes!!
- Boa noite, Cris. Não sabia que cães e gatos podiam se dar bem!
- É, então, tu vê né?
- Ué, não entendi. Que parte da história eu boiei, Cris?
- Mário, tu não tá vendo que ele tá vestido de gato de botas?
Pior que ele é tri gatinho mesmo...Um dia eu aprendo a calar minha boca. E conter meus dedos.
Anatonia, em
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13 de jan. de 2011
Pequena guerra contra a balança
- Moça, a fila pra gestantes é ali, ó.
Merda. Juro: nunca mais uso bata. Cacete, eu emagreço horrores, faço bodyjump, regime, fico sem beber cerveja e me tiram pra grávida? Bem que a Patty Braga me falou que isso podia acontecer. Azar, vou pra fila, tá menor mesmo.
Tá, contas pagas, vou pra casa do Mário. Xiriguidum, saudade do meu neném! Ai G-Zuis, o Webmilton! Droga! Eu era toda apaixonadinha por ele no colégio, esse ogro nunca me deu bola porque eu era gorda. A vaca louca da Gabi me disse que ele tinha voltado pra cidade, mas eu não acreditei. Merda, eu tô de bata! Bom, agora já era.
- Oi, Web.
- Oi Juju, como você tá bonita!
- Nossa, alguém que ainda me chama de Juju... Pois é, tô bem né?
- Tá sim, linda, magrinha. Tentando disfarçar a gostosura com essa blusa folgada, né? Não adiantou, tô te vendo!
(Vai Cris, faz cara de tímida!)
- Ai seu bobo. Não gosto de me expôr, meu namorado não gosta. Deixa eu ir, ele tá me esperando.
- Tá certo. Bom te ver! Aliás, tá uma delícia ficar te olhando!
(Te segura Cris, não canta agora)
- Pode. Só olhar, só olhar... Tchau!
Baba, olha o que perdeu. Baba, a gorda emagreceu, bem feito pra você, é, agora eu sou mais eu. Isso é pra você aprender a nunca mais me esnobar!
Anatonia, em
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10 de jan. de 2011
E quando o vento sacode a cabeleira
- Oi moça, tem tonalizante vermelho?
- Oi bem! Tem tinta e tonalizante, qual cor você quer?
Ai, G-Zuis, vai ser difícil...
- Tonalizante, vermelho.
- Deixa eu ver... No vermelho eu tenho henna, tinta e tonalizante, qual você prefere?
- To-na-li-zan-te.
Acho que agora ela entendeu.
- Hmmm, boa escolha, tonalizante agride menas os fios, né, bem?
Pena que agride mais meus ouvidos. E ODEIO que me chamem de bem!
- Pois é, né, benhê? Quais tons de vermelho tem aí?
- Tem desde o loiro até o preto, qual cor você prefere?
Por que não comprei pela internet?
- Moça, pode deixar que eu escolho, tá? Qualquer dúvida eu te chamo.
- Certo. Se quiser mudar o tom do seu cabelo, bem, vai ter que usar tinta. Você não prefere levar tinta?
- Não, obrigada. Qualquer coisa eu te chamo.
- Certo. O tom mais próximo desse teu alaranjado é esse loiro aqui, ó. Mas daí você vai ter que levar o pó descolorante e a tinta, não prefere a tinta?
Ai mel Dels. Te segura, Cris.
- Não, obrigada.
- Certo. Ah, tem esses novos tons de marrom chocolate, mas é tinta. Você não prefere levar a tinta?
- Moça, ó só, achei o vermelho Granada, quanto tá?
- Ah, bela escolha. Tem ele na tinta também, você não prefere a tinta?
- Tá, eu descubro no caixa, obrigada.
Socorro! Que mulher doida! Bom, deixa eu correr que tenho que arrumar o cabelo antes de ir pra casa do Mário.
- Manhê, cadê o espelhinho? Vou pintar o cabelo no jardim, o dia tá lindo!
- Tá aqui filha, eu tava fazendo exercício de pompoarismo, precisava ver o que tava fazendo. Guria, descobri umas posições novas e...
- Ai mãe, pelamordedeus, me poupa. Deixa, eu consigo pintar o cabelo sem espelho.
Droga, deu tempo de imaginar a cena. Bom, vamos ver: abre aqui, adiciona ali, sacode tudo. Luva nas mãos e vamo’nessa!
(25 minutos depois)
- Juju, por que tua testa tá vermelha?
Ai, droooooooga, esqueci de passar o creme protetor no rosto!! Droga, me pintei toda!
- Sai daqui anta obesa, ninguém te perguntou nada!
- Parece que tu tá usando uma bandana do Inter hahahahahah
- Some da minha frente, infeliz!
Droga, o Mário é gremista, vai me encher o saco. Não acredito que esqueci! Já deu o tempo, vou lavar o cabelo e tentar ajeitar a cara. Nada que um bom corretivo não resolva.
- Aaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiieeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
- O que foi, Julieta? Abre a porta, me deixa te ajudar, tu tá machucada? Responde filha!
- Nada mãe. Só errei um pouquinho na hora de retocar a cor do cabelo, mas deixa que eu resolvo. Tu ainda tem aquele turbante?
(minutos depois, no salão)
- Oi bem! Tira esse lencinho pra gente ver o que pode fazer?
- Oi, ó só... Meu cabelo é pra ficar gritantemente vermelho, tipo granada ou intenso, mas não sei o que fiz que ficou esse verde fralda de nenê!
- É, tá feio. Mas a gente resolve fácil. Primeiro o pó descolorante, depois a tinta, certo, benhê?
Tá, Deus, entendi. Da próxima vez eu escuto a benhê da farmácia!
Anatonia, em
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6 de jan. de 2011
Gramática
- Bom dia. Aqui é o Anacoluto, quem fala por favor?
- Anacoluto? Aqui é a Antonomásia. Ah, vai te catar, isso são horas de passar trote gramatical?
Puta merda. Cinco e meia da manhã, primeira vez que o Mário dorme aqui em casa e o telefone nos acorda? Saco.
- Quem era, amor?
- Desculpa te acordar, paixão. Era um doido se dizendo figura de linguagem...
- Anacoluto?
- É... Por quê?
- Cris, é o tio Anacoluto, que vai levar a gente pra praia!
- Ai meu Zeus, eu esqueci! Desculpa, mas vamos combinar que o nome dele não é muito usual... E a ligação me pegou de surpresa, eu tava dormindo tão gostoso!
- Isso me dá ideias! O que tu acha de a gente...
Triiiiiimmmmmmm
- Alô?
- Oi, aqui é a Eujácia, o Mário tá por aí?
- Bom dia, Dona Eujácia. É a Cris.
- Oi lindinha! Vocês já estão prontos? O Tuto ligou há pouco, mas acho que se enganou, pois me disse que alguém muito grosseiro atendeu.
- Capaz tia! Aqui o telefone não tocou...Bem, dá 10 minutos que a gente tá no jeito!
- Certo fofinha, já nos vemos!
Ufa, ainda bem que fiz as malas ontem. Ai, xiriguidum, depois de uma noite perfeita vem um findi na praia com o meu amor, que delírio!
- Bom dia, meninos! A mim, você pode chamar tio Anacoluto, combinado Julieta Cristina?
- Certo, tio Anacoluto. E que belo anacoluto o senhor construiu na frase, hein?
- Grande menina! Garanto: gostas de gramática.
- Verdade, gosto sim. Agora deixemos de aliterações e vamos à praia?
- Chega de papo, vocês dois: já passei filtro solar e quero tomar um torrão até o meio dia, já pro carro!
- Isso mesmo, tia Eujácia. Tô tri nas pilha de pegar umas ondinha.
- Assassino! Não destrate assim o pai Aurélio!
- Calma, tio Anacoluto, estou apenas parafraseando um surfista amigo meu, é brincadeira!
- Ufa. Então está certo. Sem mais onomatopéias, todos pra dentro do vumvum!
Ai meus sais. Isso vai ser engraçado. Espero...
- Achei que era em Tramandaí, tio... Pra que praia a gente vai?
- Julieta Cristina, isso foi quase uma alit...
- Chega, eu falei! Cris, a gente vai pro Cassino, o Euclides gosta de espaço.
- Euclides? Esse eu não conheço, tia Eujácia.
- É o nosso cachorro, querida. Ele é um pouco grande, por isso a gente deixa ele na casa da praia, tem mais espaço.
- É, não se pode negar que ele tenha espaço no Cassino...
- Bom, chegamos.
Pelamordedeus! Isso é uma casa de praia? Parece um hotel-fazenda com faixa litorânea! Ó só, tem até um bezerro ali na varanda! Ele tá vindo pra cá. Credo, como corre!
- Socoooooooorrooooooooooooooooooo!!!
- Euclides, junto!
- Alguém anotou a placa? Uma jamanta me atropelou.
- Bela metonímia, Julieta Cristina. Este é o Euclides, nosso dog alemão. É um belo cão, não é? Vem, garoto.
- Bonito sim, tio Anacoluto. E um belo desenhista, olha que beleza de arte ele fez com as patas na minha blusinha branca...
- Ora, esta menina está se revelando uma grata surpresa! Acertou na ironia!
- Pois tu vês, tio, nem foi intencional. Eu devia estar acostumada, a Sinfonia não é muito diferente. Esses cuscos são a antítese do “cão de estimação”... Tá, vou me trocar, vamos dar uma volta na praia, Mário?
Feitoria. Biquininho novo, chinelinho combinando, bloqueador solar...
- Tia Eujácia, passa protetor solar nas minhas costas?
- Claro querida, chega aqui. Vou usar o meu, tá?
- Mááááário, tá pronto?
- Querida, o Mário foi na frente com o Anacoluto, pediu pra você encontrá-los na praia.
Ai, ai, que maravilha... Tá, né, fazer o quê... Aiiiii, e chega de eufemismos, prosopopéias e catacreses. E que vá se catar o português correto. Droga, cadê esse povo? Já tô caminhando há uma hora e meia e nada deles. Legal, né? Pedem pra gente se encontrar na praia... será que alguém lembrou que a gente tá na praia do Cassino, a maior do mundo? Onde tá o Google Earth quando a gente precisa dele? Pera... Google Earth... Eu deveria procurar pelo bezerro, digo, cachorro. Como é mesmo o nome? Pleonasmo? Não, merda, é nome de gente, de algum livro daqueles que obrigam a gente a ler no colégio... Escobar? Não, esse é o corno da Capitu. Eurípedes? Não, essa é a mulher do Orfeu. Ai, o Tony Garrido... Volta, Cris, a hora do recreio é depois! Como é o nome daquele potro? Demóstenes? Não, esse é meu ex. Bela fonte de nomes esquisitos, a minha lista de ex. Só o Mário se salva, mas a família dele tem cada obra! Droga, não viaja guria, como é o nome do cusco? É com E. Eustáquio? Ermenegildo? Euzébio? Ercílio?
- Euclides, não!
Isso! Euclides! Aaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
- Alguém anotou a placa? Acho que uma jaman... Aaaaaiiiiii que dor nas costas!
- Amor, tá tudo bem?
- Morri e tô no céu, mas com as costas no inferno. O que houve, Mário?
- O Euclides te achou na praia, pulou em ti e te derrubou. Tu bateu a cabeça numa planonda e desmaiou. Só não sei porque tu passou protetor solar no corpo todo menos nas costas, tem até bolhas de tanta queimadura!
- Eu passei sim! Na verdade, a tia Eujácia passou o dela...
- Tia Eujácia???? Ela só usa óleo de côco!!
- O que mais pode acontecer, pelamordedeus?
- Jujuuuuuuuuuuuuuuuu!!
- Ai não. O Paulo Afonso nãooooooooooooo!!!!!
Anatonia, em
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Todos os Contos de Juju
4 de jan. de 2011
Conto da história sem fim
“Alone” vem de “all one”, algo como estar em perfeita conexão consigo, sem precisar de nada nem ninguém. Caminhou só de calcinha pelo quarto, abriu o vidro da imensa janela de seu apartamento. Novamente passou os olhos pelo quarto.
Tudo novo. Branco.
A cama nova, coberta por lençóis de cetim branco, combinava perfeitamente com o grande espelho que tomava conta de uma das paredes. Depois de muito tempo, Ela olhava e se via. Não era uma imagem falsa, forjada de acordo com os moldes que Ele queria, ou que Ela achava que Ele merecia. Aquela mulher no espelho era Ela. Viu-se sorrir, primeiro com olhos, depois os lábios entreabertos se abriram e começaram a cantar:
Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto à você
E em tudo o que eu faço
Existe um por que
Eu sei que eu nasci
Sei que eu nasci pra saber
Pra saber o quê?
E fui andando sem pensar em mudar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Ficou séria.
Não, definitivamente, agora não falta ninguém.
Faltava ela, Ela se percebeu ausente dos últimos anos de sua vida. Sempre contida, sempre precavida, sempre pensando e repensando atos e palavras, tanto que acabava por silenciar.
“Chega!”
Gostava de se ouvir assim, em alto e bom som. Ainda com os olhos fixos no espelho, virou-se lentamente e deu uma boa olhada no próprio corpo. Passou a mão pela barriga e sorriu.
Lisinha.
Conseguiu passar por todo esse período conturbado sem engordar ou emagrecer, manteve-se com o mesmo peso. Pensando bem, por que haveria de mudar? Foi tudo tão rápido... Divórcio, demissão, viagem, casa nova, empresa nova.
Ela, de novo.
Anatonia, em
Ana Gouvêa
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Todos os Contos de Ele e Ela
3 de jan. de 2011
Pô, seu guarda!
Xi-ri-gui-dum, que saudade do meu bofe... Esse período de provas na faculdade acaba com o meu tempo, e ficar mais de cinco dias sem ver o Mário é muito mais do que meu coração aguenta. Ainda bem que ele mora aqui perto da clínica, assim eu posso sair do trabalho e dar um beijinho nele, antes de ir pra casa enfiar o nariz nos livros. Droga, ninguém vai arrumar essa calçada? Todo dia eu tropeço nessa pedra! Tá, chega, vou atalhar pelo beco. Ai que meda, tá escuro! Ontem eu passei aqui na frente e tinha uma luz ace...
- Cala a boca e passa a bolsa!
- Calar a boca como, se eu tava quieta?
- Cala a boca mocréia. Me dá a bolsa e o celular!
- O quê? Minha bolsa lindamente falsificada que ganhei da mãe de Natal? Nem a pau, Juvenal!
- Como é que tu sabe meu nome? Não olha pra minha cara, piriguete, e passa a bolsa!
- Ó aqui, piriguete e mocréia são a pu...
- Polícia, solta a moça!
Aaaaaiiiiiiiiiiii! Legal, agora o fedorento tá com a mão nojenta na minha boca, me encoxando, e eu tô entre ele e a polícia. Porque eu não escuto a vó Taurina? “Guria, não anda sozinha em rua escura”. Bem feito, Julieta Cristina.
- Tu tá cercado, meliante. Solta a moça e te entrega.
- Como é que eu tô cercado se isso aqui é um beco? Sai da frente senão eu atiro na gordinha aqui. Ô guria, vai morder a mão da pu...
Nojooo! Não acredito que mordi a mão sebosa desse cara!
- Aqui ó, gordinha é a mãe! Me larga ou tu vai ser enquadrado como ladrão. E não me agride, olha a Maria da Penha!
- Maria da Penha é o cacete! Me dá a bolsa ou eu bato em ti, na polícia e nessa Maria da Penha aí. Onde tá essa?
- Peraê. Tu tá me ameaçando com um pirulito no bolso?
- Claro que não, gorda! Tô armado, não tá ve... aaaaiiiiiiiiii!
Ah, te catar. Me assaltar tudo bem, mas me chamar de gorda e com um pirulito no bolso?
- Que coragem, hein moça? Belo gancho de esquerda, a senhorita treina boxe?
- Não, seu guarda. Eu tenho um irmão mais novo...
- Ah, perfeitamente. A senhorita gostaria de registrar queixa? Seria um prazer acompanhar uma moça tão bela até a delegacia.
Puta merda. Não me bastasse o fedorento me encoxando, agora um Pedro Paulo de bigode me cantando?
- Eu vou, seu guarda. Só tô ligando pro meu namorado ir comigo... Eita, olha ele passando ali!
- Mário, tô aqui!
- Cris, eu tava preocupado, o que houve? Tio Vespúcio, quanto tempo que eu não te via!
Meu São Tomé das Letras, será que só o Mário tem nome comum nessa família?
Anatonia, em
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31 de dez. de 2010
Conto do pesadelo final
Ela não conseguia conter sua felicidade naquele amanhecer. Consciência leve, recuperou o amor de sua vida e o resultado desse amor ela carregava no ventre. Ela sabia que tudo iria melhorar, que o perdão a deixou de coração leve e agora havia um motivo a mais para viver. Ele acordou e sorriu para Ela, segurou-lhe a barriga e beijou, dizendo “bom dia, minha filha”.
Eles riram porque sempre quiseram uma menininha, sempre comentavam quando eram namorados e, depois da turbulência pela qual o casamento passara, falar em filhos era quase uma agressão.
Na verdade, não importava se o bebê era menina ou menino, Ele apenas quis relembrar os bons e antigos tempos que agora pareciam ter voltado àquela casa.
A felicidade era tanta que resolveram ir, naquela manhã, visitar os pais d’Ele que moravam numa cidade próxima, para contar-lhes a novidade.
Ela sentia-se vivendo em um filme, cuja trilha sonora era “Oh, Happy Day”:
Oh happy day
Oh happy day
When Jesus washed
Oh when He washed
Oh when He washed
Whased my sins away
Oh happy day
Oh happy day
Oh happy day
When Jesus washed
Oh when He washed
And then He washed
Washed my sins away
Oh its a happy day
He tought me how
To watch watch and pray
Watch and pray
And live rejoicing averyday
Everyday
Ao saírem de casa se deram conta que o carro havia sido quitado há 2 meses e nem sequer houve comemoração do feito. Assim, beijaram-se demoradamente e pegaram a estrada.
No caminho, conversavam animadamente escolhendo o possível nome do bebê.
- Nosso filho! Não consigo acreditar nisso, amor. Ele veio para nos unir, pra tirar a venda que estava em nossos olhos!
- Sim, acredite, é o nosso filho que veio. Ele é resultado do que sempre sentimos um pelo outro e quase esquecemos. Nosso bebê...
- Tu não acha estranho aquele caminhão?
- Sim, parece que vem ziguezagueando.
- Amor, freia o carro!
- Calma...
- Freia!
- Eu não to conseguindo parar!
- Vai bater na gente!
- Eu to tentando desviar!
- PÁRAAAAA...
E qualquer que tenha sido o grito posterior, foi abafado pelo estrondo da colisão. O motorista do caminhão havia dormido ao volante e Ele não conseguiu evitar o encontro frontal dos veículos. A morte d’Eles foi instantânea. Ela, com o pescoço quebrado por estar com o cinto de segurança, e Ele pelo impacto da queda ao voar do automóvel. O bebê? Esse ainda era chamado pelos peritos de feto.
Foi o fim de uma história que teria muito a contar, mas foi interrompida assim, como outras tantas também são.
Anatonia, em
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Todos os Contos de Ele e Ela
30 de dez. de 2010
Xi-ri-gui-dum
“Ai ai! Acho que essa temporada na casa do meu pai vai ser boa pra minha cabeça, a vida aqui é bem mais zen. Tirando o fato do meu pai ter uma adoração excessiva por Shakespeare, ele até é uma pessoa normal e inteligente. Até já to sentindo saudade daquele gordo desnecessário do Paulo Afonso, mas pensando o quanto ele me azucrina, a saudade já passa. E vai ser bom para a mãe criar juízo e assumir as responsabilidades... Ai não!
- Paieeê, o Hamlet tá aqui no meu quarto, tira esse rato daqui!
- Não é rato, filha, é um esquilo. E trate bem dele, tu não tens noção o quanto foi difícil conseguir licença pra criá-lo aqui. E domesticar, então...
- Tu diz domesticar um animal que espalhou minhas maquiagens por todo o quarto?
- Ele é uma criança brincalhona.
- E bagunceira, agora tira ele daqui. Preciso me arrumar.
- Vai sair hoje?
- Vou.
- Posso saber com quem?
- Um carinha que conheci no carnaval. Mário.
- E o que ele faz?
- É traficante, tem 2 piercings na boca. Ficam lindos nele.
- JULIETA CRISTINA! Eu não vou...
- Relaxa pai. Ele é recém formado em Direito, quer ser advogado, semana que vem é a prova da OAB dele.
- Formou-se e continua sendo nada. Típico de estudantes de Direito. Entre o advogado e o traficante não sei qual escolher.
- A escolha é minha, pai.
- Eu sei, amada minha. Eu sei. Boa sorte e juízo nesse corpinho.
- Obrigada pai.
“É outro nível esse meu pai. Vou com meu vestido vermelho. Tá, tô nervosa. O Mário é tão gatchinho”.
(Ao chegarem ao restaurante em que iriam jantar).
- Ai, me solta!
- O que houve, Ju?
- Enrosquei minha bolsa na cadeira.
- Ah sim, as cadeiras tem essa louca mania de segurar as pessoas.
- Obrigada por contribuir com a vergonha que sinto nesse momento.
- Gosto da cara que tu faz quando fica com vergonha e a tua auto-indignação me diverte.
- Sem graça, você, hein?
- Não sabe receber elogio?
- Ah! Foi um elogio? Muito obrigada.
- De nada. Bebemos vinho?
- Ótimo.
- Faz dois meses que a gente se conhece, conversamos seguidamente, só agora que a gente está saindo juntos, mas tinha certeza que seria divertido.
“Ai, nervosa. Que fofo! Eu tava louca pra sair contigo, bofe. Toma um gole de vinho, Cris, fazer charminho pra responder é o que há. Não tire os olhos dele, fixe. Merdê. Ai, não, derrubei o vinho dentro do meu prato. Desastre!”
- Opa.
- Vai dizer que você gosta de tomar vinho de colher?
- Ai, não brinca, tu ta vendo o desastre que eu sou, se quiser, podemos ir embora.
- Por isso? Eu to adorando estar aqui.
- Isso não me faz sentir melhor.
- Ju, olha pra mim.
- Oi, tô olhando!
- Quer namorar comigo?
Anatonia, em
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28 de dez. de 2010
Conto do outro começo
Ela acordou enjoada. Tremendamente enjoada. Olhou em volta e, pouco a pouco, lembrou do que aconteceu. Ou pelo menos teve uma vaga lembrança. Estava vestida, isso já era um bom indício de que nada de pior aconteceu. Mas onde Ele estava?
Lembrou-se das palavras duras, as insinuações da transa com o outro Ele, o André. Não foram insinuações, ela disse que transou, disse como e onde foi, e com detalhes sórdidos.
"Droga, ele comeu a Sabrina."
A voz dele passou a ecoar... "Grande merda que tu deu pro André, no mesmo dia eu comi a Sabrina, aqui nessa sala. E ela continua gostosa como sempre!"
O diálogo veio como um turbilhão.
"Bom, se tu fosse tão gostoso como acha que é, ela não tinha virado sapatão!"
"E se o André fosse tão maravilhoso, ela tava contigo e não na cama da Sabrina."
Lembrou de ter visto André e Sabrina na cama, sem roupa e pelo visto sem pudores, porta aberta e gritaria.
Tentou levantar-se, mas o enjôo foi mais forte. Engraçado, o porre não foi assim tão forte, o vinho era bom, tinha se alimentado bem...
"Onde Ele tá?"
De repente sentiu-se fraca, dependente e desprotegida. Sentou-se na cama, abraçou as pernas e começou a chorar. Parecia uma criança assustada, mas a única vontade que sentia era de chorar.
"Não acredito que perdi Ele".
Passou um filme rápido em sua cabeça, desde a primeira troca de olhares naquele show em que se conheceram, as caminhadas nas tardes de sábado, as viagens, os passeios, o primeiro carro que compraram juntos, a última parcela da casa, quitada há dois meses.
"Não posso jogar tanto amor fora."
Soluçava, gemia, socava a cama.
Não queria olhar pro sofá da sala e só ver almofadas. E os planos de adotar um cachorro? E as roseiras, que só floresciam quando Ele as regava? E o que Ela faria com aquelas toalhas do Grêmio, que ela odiava, mas lavava com carinho mesmo sendo torcedora do Internacional?
O enjôo ficava cada vez mais forte, correu pro banheiro. Nada saiu, nem vermelho como vinho, nem saliva, nem nada.
Quando saiu do banheiro, Ele estava sentado na cama. Ela percebeu-se tão absurdamente ridícula, com o rosto inchado de tanto chorar, a camiseta amassada e molhada pelas lágrimas. Tinha vergonha de encará-lo.
Sentou-se ao lado d’Ele e esperou que falasse. Qualquer coisa, qualquer palavra, ríspida ou seca, qualquer som que acabasse com aquele silêncio.
Ele também chorava, mas ria ao mesmo tempo! No começo ria baixinho, depois começou a gargalhar e soluçar, com as mãos nos olhos, cabeça meio baixa. Ela olhava e não entendia nada, mas começou a sorrir também. Quando ambos gargalhavam, ela sentiu novamente aquele enjôo esquisito.
"Amor, tu tá grávida"!
E ria descontroladamente.
"Do que tu tá rindo?"
"Acordei achando que tinha te perdido, que te encontraria na cama com aqueles dois... Aí te vejo aqui, sozinha, chorando e vomitando. Minha princesa, minha boneca, amor da minha vida, tão forte e tão delicada, tão independente mas que não consegue ficar longe de mim, confessa..."
"Eu te amo."
Anatonia, em
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27 de dez. de 2010
Ex bom é ex morto
“Dá a impressão que o ano começou só agora, no mês de abril. Definitivamente. Emprego novo, solteira à procura, último ano de faculdade. Eu preciso mudar minhas energias. Aliás, tem um relógio parado na minha gaveta, é hora de fazer ele voltar a funcionar. Não quero nada parado na minha vida.”
Juju nem tinha levantado da cama e o pensamento já estava a mil, fazendo planos e tranquila, tinha certeza que as coisas começariam a dar certo.
“Merdê, a coleção de revistas dos anos 80 do Enetermos ainda está comigo e eu tenho que devolver. De hoje não passa. Trabalhar no sábado de manhã tem suas vantagens, vou passar na casa dele e deixar com a sogra. Opa, ex-sogra, preciso me acostumar com isso. Pronto, ninguém mandou ele ser dorminhoco... adorava dormir com ele... tá, passou. Não passa. Respirando fundo... passou.”
(Na casa da sog...ex-sogra):
- Oi, Juju
- Oi sogrija... opa, agora é ex.
- Ah! Tudo bem, você sempre será minha nora preferida, mesmo nem sendo mais minha nora.
- Pois é, dona Masoca, mas só passei pra deixar estas revistas do Enetermos caso ele precise. São dele mesmo. Mas já vou indo, tenho que ir trabalhar.
- Não sem antes tomar o meu café, eu sei que tu adora.
- Golpe baixo. Não resisto. Mas não posso me atrasar.
- Serei rápida, a água já está quente. Aproveitaremos o tempo pra pôr as fofocas em dia. Hoje é aniversário do meu irmão, não ta a fim de comemorar com a gente?
- Ah não, obrigada. Não é conveniente. Adoro a família de vocês, mas não é certo eu estar aqui nessa situação.
- Bom, é você que sabe, mas está convidada.
(após o café, já no trabalho)
“Xiriguidum. Esqueci meu celular na casa do Enetermos. Saquê! Droguê, ainda não me livrei do francês. Mas enfim, porque eu sou tão tonta? Vou ter que passar lá depois, e se aquela coisa osca já estiver acordada? Aieeê, eu não quero ver ele. Triste”
- Julieta.
- Oi, Dr. Tusnildo.
“Até meu chefe está na saga dos nomes esquisitos da minha vida”.
- Precisamos conversar. Vou precisar de você hoje a tarde, tempos três pacientes que precisam de sessões extras de fisioterapia. Depois acertamos isso, quem sabe um dia de folga na semana que vem, tudo certo pra você?
“Ótimo, sábado todo trabalhando”.
- Tudo certo sim, só vou ligar pra casa pra avisar. E outra, vou precisar usar o telefone da clínica.
- Tudo bem, conto com você então.
(final de expediente)
“É, respirando fundo porque possivelmente vou encontrar o Enetermos em casa. Lixê! Nunca alcanço essa campainha. Pulando, ui, alcancei. Como tá cheio de carros aqui na frente. Ah não, o jantar do tio que não é mais meu tio Esmerildo. Vou sair, amanhã pego esse maldito celular, ou compro outro. Abriram a porta, ai, me viram”
- Oi, Juju, fugindo de alguém.
- Da polícia, não quero que eles me encontrem, vim pedir refúgio.
- Sempre com seu bom-humor.
“E tu sempre com esse sorriso lindo, que vontade de me atirar nos teus braços”...
- É, minha mãe não concorda com isso.
- Combinemos que tua mãe não deve ser muito considerada pra opiniões, não é?
- Sim, mas enfim, só vim buscar meu celular que esqueci hoje de manhã.
- Ah sim, entre, a mãe até comentou comigo.
- Legal participar da festa de família de uma família que não é mais minha família.
- Acontece Julieta. Acontece. Mas tu esqueceu esse celular de propósito, né?
- Agora eu lembro bem porque a gente terminou, pelos tantos momentos que tu me faz te odiar. Não, não esqueci de propósito e nem tava a fim de ver tua cara.
- Opa, ta braba?
- Sim, qual é a pessoa que quando finalmente resolve dar um basta com qualquer lembrança que tenha do ex, consegue esquecer o celular na casa dele?
- Você, ora.
- Sim, eu, por isso que eu tenho plena convicção que pra eu viver, só me matando mesmo.
Anatonia, em
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24 de dez. de 2010
Conto do assombro final
Os dois evitavam trocar olhares, palavras, sequer tocavam as taças de vinho. O bar continuava animado, a banda parara de tocar a poucos minutos, o burburinho era ensurdecedor, mas o silêncio entre eles era quase palpável. Gargalhadas, arrastar de cadeiras, o prato da bateria que caiu, mas o som do silêncio era ainda maior.
Contrariando as aparências, fazia tempo que Ela não se sentia tão bem ao lado d’Ele. Sem precisar prestar atenção no que dizia, ou tecer opiniões às quais ele não daria a menor importância, sequer precisava ficar de mãos dadas com Ele.
A música ambiente cobriu qualquer espaço que ainda não havia sido tomado.
Eu só quero estar só
Esse silêncio me faz tão bem
E a distância também
Não queria partir
Mas não me resta nada a dividir
Ainda bem que cada um em sua estrada anda só
Talvez perceba que tem que levantar e viver
Por que todos acabam sós
Sei que eu preciso esperar
Meias medidas virão
Sutilmente ou não
E bem longe daqui
Não vou agradar ninguém além de mim
Ela sentia vontade de rir. Tinha vontade de gargalhar, sentia-se aliviada pelo semi-desabafo. Aquelas palavras estavam engasgadas há tanto tempo que mal podia se lembrar de um dia em que não quis proferi-las.
Quando já era quase impossível conter o riso, Sabrina sentou-se a seu lado, um pouco bêbada e sem limites.
- Anima aí gente, a festa ta só começando e vocês dois com cara de bunda!
Dois? Ah, sim, Ele estava na mesa.
As duas engataram uma animada conversa, falavam até sobre partes do corpo d’Ele, que a cada segundo ficava mais intrigado com a cena.
"Elas mal se olhavam, agora estão amigas assim?" pensava, sentindo-se sufocado pela lembrança do último encontro que tiveram, quando descobriu a bissexualidade de sua ex e seu interesse por sua esposa. Sabrina tocava as pernas e os ombros d’Ela durante a conversa, dando aulas de como trepar no banco da frente de um carro. Ela, interessada, morria de rir com os detalhes sórdidos que a nova amiga incluía na conversa.
"Será que rolou alguma coisa entre as duas e eu não to sabendo?" apavorava-se com a possibilidade de perder sua mulher pra outra mulher.
Ele bebia sem parar. A terceira garrafa de vinho estava no fim e ainda não acreditava no que via. As duas agora conversavam aos sussuros, ao pé do ouvido, e riam incontidamente. Ele pediu outra garrafa de vinho, que foi trazida por André.
"Ufa", pensou, "finalmente alguém pra conversar comigo".
Ledo engano.
André sentou-se entre as duas mulheres, as gargalhadas aumentavam assim como a intimidade entre os três. Percebendo o estado etílico d’Ele, sugeriu que todos fosse à sua casa, logo ao lado do bar, o que foi aceito de pronto, sem que Ele sequer fosse consultado por Ela.
Ele não sabe ao certo como tudo se deu ou o que aconteceu exatamente, mas acordou sozinho na sala. À sua volta, peças de roupa que não reconhecia e, novamente, o silêncio.
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23 de dez. de 2010
Ne me quite pás
“Apolo, já volto pra te buscar!”
Ui, xiriguidum, o nome do gato é Apolo! Parece um Apolo mesmo... Muito além do bonito, todo loirinho, de olhos azuis... E agora que o outro cara saiu de perto ele tá com essa carinha de perdido! Aieeee coisa fofa!
Essas coisas só acontecem comigo. Definitivamente, a Lua tava minguante no dia que eu nasci. E Nossa Senhora da Bicicletinha tava menstruada, só pode. Tô bem sentada na Redenção, resolvi vir comprar uma Revista Piauí e o tal do Apolo com uma na mão. Óbvio, como eu sou uma pessoa de muita sorte, SÓ TEM UMA. Tá, o guri é tetra lindo, mas será que ele vai demorar muito pra resolver qual revista ele quer? Ah não... Agora ela vai ficar namorando a capa? Chega!
- Oi, com licença... Apolo, né? Por acaso tu não sabe ler? Tá há 2 dias com a Piauí na mão e nada? Te decide!
- Diescoulpa menena, eu nau ser daque, nau consego saber como paga.
Ai tadinhooo... E que vergonha!
- Ah, desculpa. Eu te ajudo! É só essa revista?
- Oui. Sorry, quer dizer, sim.
- Faz assim. Já que tu não vai entender nada do que tá escrito e eu quero levar pra casa (a revista), eu compro, a gente senta ali embaixo daquela árvore e eu leio os textos pra ti. Que tal?
- Magnifique!
- Olha que legal, eu até sei cantar aquela música da Cássia Eller... nooon, riã de riã, nooon, jê ne regrete riãnnn”
- Parece muito com uma da Edith Piaf, mas a letra é diferrant.
- Ah, deve ser outra música mesmo. (Cala a boca, Julieta Cristina!)
Feito, vou conhecer uma língua francesa! Ainda bem que prestei um pouco de atenção às aulas de francês que o pai pagou. E era chato pacas!
O papo fluiu com certa dificuldade, mas Apolo não entendia a real intenção de JuCris.
- Bem, vamos tentar de outra forma. Meu nome é Cris, e o seu?
- Apolinaire, me chamam Apolo.
O Murphy me odeia. Até em francês os caras têm nome estranho?
- Tô te achando meio acanhado, Apolo. Tá com vergonha? Ou é o calor?
- Excuse moi, Cris, eu estar preocupado com Alistair.
- Alistar? Eu tenho um de cada cor, às vezes até saio calçando um de cada cor. Mas deixa isso pra lá. Algum problema com os teus? Nem pisou em nada!
- Non, mon chéri, Alistair ser o que estava comigo. Como se diz em português... boyfriend?
- Amigo? É que aqui no Brasil, quando falam boyfriend, a gente entende como namorado.
- Isso, namorrado! Ele saiu para buscar nosso carro e ainda não voltou.
“Merdê!! Atê em Francê, acontecê essas comiguê. Ajudê!”
Anatonia, em
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