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27 de jun. de 2011

As Histórias da Juju

Lembra da Juju? É, aquela guria das Histórias da Juju, que você lê aqui no Me Dá Um Desconto, lembra? Aquela engraçada, estabanada e que lembra um pouquinho de cada um de nós?
Pois é, a Juju virou livro!



E o ebook tá com um preço tão bacaninha, quem sabe você se reserva esse direito à diversão?
Tônia Werste e Ana Gouvêa agradecem!

7 de fev. de 2011

Nem todo dia é igual

Exame de rotina com meu gineco, que por sinal já tem um nome bastante lindo, ou seja, eu não poderia ter sido recomendada para ir a outro. Dr. Sosigenes.

Pode isso, Deus? Falando em Deus, como tá quente na rua, é capaz de eu chegar no consultório e o Dr. Sosi me pedir pra tomar um banho antes de ir pra consulta.

Céus! Quem eu encontro? Aquele que vem lá tem que ser o Lanolino, aquele andar inconfundível, quebradinha pra esquerda, pra direita, pra esquerda, póem, póem, póem, póem. Aí, continua lindo mesmo depois de anos sem vê-lo.

- Juju, não acredito que tô te vendo, quanto tempo, guria?!

- Pois é, Lanô, uma eternidade mesmo... (e tu continua per-fei-to)

- Pensei em ti esses dias

- Ah é? Sentiu saudades?

- Sempre, mas na verdade tava querendo saber daquele teu amigo de infância que vocês viviam juntos, o Claudimax. Tem notícias dele?

- Ah sim, sempre que posso ligo pra ele, está bem...

- E tá disponível no mercado?

- Sim, ele...

- Então pergunta pra ele se ele topa sair comigo um dia desses. Juju, foi um prazer falar contigo, pega esse cartão com meu telefone e qualquer novidade do Clau me liga, amiga.

MEUDEUS! Esse mesmo Deus que eu chamei no início da história... quer dizer que o Lanolino é gay? Que o Mário, meu lindo namorado não saiba disso, MAS QUANTO DESPERDÍCIO!!! E outra, no rabisteco do Lanô que vou apresentar o Claudimax, ele é muito macho... acho. PQP, vou ter que perguntar isso pra ele?

Vou pro meu ginecologista, sem medo de ser feliz!


27 de jan. de 2011

Família que se cuida unida

Ai ai, coisa boa. Descobri uma manicure ma-ra-vi-lho-as que atende a domicílio, sugestão da Alicinha Francine. O nome é um tanto quanto esquisito, Rafilda, mas por que haveria de ser diferente né? Espero que ela não se atrase, a mãe chamou a cabeleireira e a depiladora também, essa festa de amanhã promete!
(toca a campainha)
- Bom dia, sou a Agnônima, a dona aí me chamou pra depilar.
Ai Zeus, eu não posso rir. EU NÃO POSSO RIR!
- Entra, Dona Agnônima, a mãe já desce.
- Ah, é sua mãe? Nussa, parecem irmãs.
Por que será que não fui com a cara dessa doida?
(mãe chama, do alto das escadas)
- Jujuuuuuuuuuuuuuuuuu, vai te depilando, tõ terminando de lavar o cabelo, a guria da escova já tá aqui!
Que coisa, nem escutei a campainha. Bom, tá.
- Ô Agnônima, começa por mim então, vou fazer axila, meia perna e virinha.
- Frente e verso, Juju?
- Me chama de Cris. Não, só frente.
Bem capaz que vou mostrar meu lindo derrière pra uma quase anônima.
(quase 1 hora depois, uma Juju totalmente suada sobe pra tomar banho, enquanto sua mãe desce pra se depilar.)
Maldita desconhecida, quase me arrancou a pele junto com os pelos, ninguém nunca falou pra ela de termômetro? Vou ficar com o sovaco vermelho até o fim dos tempos!
- Ô fia, já lavou os cabelo? Bora escovar?
Ai que delírio, uma cabeleireira semi-analfabeta, tudo o que eu mais queria na vida!
- Já sim, vamos descer que é mais ventilado lá na sala e a manicure deve estar quase aí.
- Você que manda, benhê.
Toca a campainha.
- Bom dia, sou a Rafilda, a dona Cris me ligou pra...
- Oi Rafilda, entra, sou a Cris. Se importa de fazer minhas unhas enquanto a outra moça escova meu cabelo? A mãe se confundiu com os horários...
- Sem problemas, costumo fazer esse serviço com as minhas irmãs. A gente atende em conjunto, fica até mais fácil.
- Ah, que legal, família que trabalha unida né? Então, a mãe tá lá dentro com a Agnônima, a depiladora, e essa aqui é a... Oi, como é o teu nome?
- Larúbia? Hahahahhaha
- Rafilda! Se a gente tivesse combinado não dava tão certo, né?
- Ah, vocês são irmãs?
- Somos, e a Agnônima é a mais velha! Hahahahha
Que coisa...
(Juju sentada com os braços levemente abertos pra aliviar a queimadura da depilação, cabeça sendo puxada pra todos os lados pela Larúbia, pernas levantadas para que Rafilda pinte suas unhas, sua mãe entra na sala)
- Mãe, olha que bizarro, a Rafilda e a Larúbia aqui são irmãs da Agnônima!
- Ai que divertido!! E olha que legal, a gente realmente parece irmãs!
- Como assim, mãe, já tá bêbada? Ou ainda, sei lá...
- Não, bobinha, a Agnônima me falou que tu já tem teus primeiros pentelhinhos brancos! Quer tirar foto da gente de irmãs gêmeas de pêlos? Ah, não vai dar, a Agnônima arrancou todos, tu sabe que eu gosto de...
- Ai mãe, para, me deixa morrer em paz!

24 de jan. de 2011

Juju em um breve momento

“Quando eu conto as coisas que acontecem comigo as pessoas pensam que é mentira, brincadeira e que estou tentando ser engraçada. Na maioria das vezes eu não acho graça alguma. Não achei engraçado saber que uma bergamota que perdeu a briga para a gravidade se suicidou no meu ombro quando eu estava passando pela árvore. Tem noção do cheiro? Agora tenho que ficar lavando essa imundice que manchou minha camiseta do Kiss. Ah inferno”

- Julieeeeeeeeeeeeeetaaaaaaaaaaaa ta ta ta, você tem cara de bocaberta ta ta

- Falando em inferno... o que tu quer, Paulo Afonso?

- Tenho um amigo meu que é alienígena. Veio de um planeta lá com o nome estranho que não lembro.

- Não, guri. Essa é a tua história, não confunda as coisas.

- Mana, eu to falando sério.

- Eu também, seríssimo. A mãe te achou dentro de uma abóbora, tu era verde e tinha antenas, gastamos milhões pra te deixar parecido com humanos, mas não tivemos muito êxito. E somos classe média agora por tua causa.

- Manhêêêêê

“Tem dias que não to com paciência, mas meu irmão consegue ao menos mexer com a minha criatividade. Não consigo ter pena, puta que o pariu, viu?! Ele sabe me azucrinar. Os irmãos dos outros são sempre mais legais. Só o Paulo Afonso discorda, tenho certeza.”

20 de jan. de 2011

O show do Fábio Jr.

Ai, xiriguidum, Fábio Jr na cidade!! Ta, é brega, ta com a cara amassada, mas é tão charmoso! Fora que o Mário é tri romântico, ele
vai adorar o presente.
- Oi amor! Que tal a gente ir no show do Fábio Jr.?
- Nossa, ia ser muito legal, quando é?
- Ué, tu não ta sabendo? É amanhã!
- Epa, tô dentro!
- Então ta, presente meu, eu compro os ingressos!
- Pó bonecrinha, obrigado, to tri sem grana, final de mês sabe cume né...
Odeio quando ele me chama de bonecrinha, mas tudo bem. Hmmmm, ingresso caro pacas, será que o marido da Vivi não me consegue umas cortesias?
Azar, vou ligar pra ela.
- Bom dia flor do dia, como ta?
- Oi Cris, beleza? To bem, e você?
- To bem, amiga. Lembrei de ti, vim pra clínica toda trabalhada na
franja, espero que o tempo fique firme até amanhã pra não estragar a
chapinha. E aí, tu vai no show?
- Vou sim, ce sabe que eu tenho que ir nos eventos né...
- Sei sim, até por isso te liguei. Será que o japonês negão me consegue duas cortesias? Queria ir com o Mário...
- Ah, consegue sim. Aliás, tem duas aqui comigo, a gente se encontra
na entrada, pode ser?
- Ai xiriguidum, claro que pode!
(na entrada, esperando os amigos)
- Bonecrinha, por que tu chama o marido da Vivi de japonês negão?
- Amor, tu vai entender... Eles tão ali, ó. Oi Vivi, oi Alexandre!
- Oi gentes... Taí as cortesias, desculpa a correria mas a gente tem
que entrar, o pessoal da produção ta nos esperando pra coletiva com o
Fábio Jr.
- Aaaaaai que inveja!
- Ah é, vocês são fãs né? Então venham com a gente.
(Mário, cochichando pra Juju)
- Agora entendi, amor. O cara é japonês e é negão, doido isso hein?
- Pshhhhh! Vamos logo tirar foto com o Fábio Jr, ta ameaçando chuva e
chapinha da minha franja não agüenta água!
(baita fila)
- Ô casal, vocês entram logo depois dos irmão ali, ta?
- Certo moço, obrigada.
- Ah, só pra avisar, o pai deles é patrocinador, vai entrar um irmão
de cada vez pra fotografar.
- Mas tio, ta começando a garoar.
- E o quéco?
Casou com uma mafagafa e teve mafagaquequinhos... Droga, precisava ser especificamente os irmãos Vancler, Vancleide, Valzitânia, Valciara e Valcilene??

17 de jan. de 2011

Juju e as redes (anti)sociais

Ué, quem é esse gatinho me seguindo no Twitter? Cris, segura tua onda, tu tem namorado! Ah, o Mário tá viajando, ele não fuça minhas coisas e paquera virtual não é chifre, #prontofalei. Que nomezinho esquisito! Azar, ele é tri bonitinho e dá umas tuitadas bem bacanas. Tá, vou seguir. Hmmmm, o gatinho mandou DM! Ai xiriguidum, tô me sentindo uma adolescente! Acorda Julieta Cristina, tu é praticamente uma adolescente mesmo, lembra que tá com uma mega espinha no nariz?

Bom, já olhei os emails, o Twitter, agora vou pro Orkut. Epa, o gatinho tá me adicionando aqui também! Eba, vou poder ver fotos! Droga, só tem o apelido esquisitinho... vamos ver os interesses...Epa, eu?? Jura que ali tá escrito “interesses: a Cris da turma de fisioterapia” ?? Ai xiriguidum, ele me conhece da faculdade!! Esse rosto não me é estranho, maldita memória! Cruzes, fiquei tão emocionada que esqueci de olhar a DM. “Cris, vait er uma festa à fantasia no sábado, quer ir comigo?”. Ai não, desenvolvi fobia desse tipo de festa, Deuzolivre. Vai que a mãe querir comigo, né? Xeu responder. “Obrigada, gatinho, mas sábado eu não posso. Fica pra uma próxima.”

Pronto, não me ofereci nem descartei. Grande Cris, dando cartadas certeiras! Eu deveria ter perguntado o nome, mas também tô ficando com fobia disso. Outra DM! “Que pena, tava louco pra te conhecer pessoalmente”. O que respondo?? Aieeeee! “Sem querer ser desmancha prazeres, mas eu tenho namorado, tu sabe né?”. Acho que agora ele não responde mais.

Tão lindinho ele, mas não dá pra ficar brincando com os sentimentos das pessoas. Que nobre que eu fui!

Bom, voltemos aos trabalhos. Twitter, Orkut, Facebook eu deletei. Falta MSN, esqueci de abrir! É Cris, a paixão opera milagres no ser humano, quem te viu, quem te vê! Ou melhor, quem não te vê mais online...

Gente! Para o mundo que eu quero descer antes que chegue no parque Tupy! Não é que o gatinho me adicionou no MSN também?? Vou aceitar mas deixar bloqueado. Credo, tô começando a me assustar! Quem será que deu meus contatos pro gatinho? Será que ele tem meu celular? Meda!

Falando em celular, cadê meu roxinho? Ah é, deixei na pochete, e a Glória Kalil que não me ouça, mas lá na clínica eu uso pochete. Ai G-Zuis, um sms sem assinatura, socorro! Ah, é do Mário. Ufa... vamos ver... “amor, vamos na festa à fantasia da minha família no sábado?”.Que coisa, dois convites pra mesma coisa, pior que esse eu não posso recusar. “Vamos sim, amor, vou procurar uma fantasia!” Certo que não vai ser de Coelhinha, né?
- Manhêêêêêêêê!!!

- Que tu quer, guria?

- Cadê tua fantasia de pirata?

- Transformei em Tiazinha, quer?

Cria, não imagina, não pensa!!

- Não. Tem outra?

- Tenho de enfermeira, colegial, professorinha, tigresa...

- Tem alguma que a bunda não fique de fora, mãe?

- Pra quê? Credo Julieta Cristina, tu tem cada uma!

Merda. Vou ter que alugar uma?

- Julietatá, tá me chamandoooooooo.

- Que tu quer, guri nojento?

- A tia Gláucia teve aqui e deixou a fantasia de cocker spaniel, lembra?

- Milagre!!! O Paulo Afonso foi útil uma vez na vida!! Cadê?

- Tá no roupeiro do porão. Fedendo, mas existe.
(e no sábado...)

- Amor, como tu tá linda de cachorrinha de madame!

- Gostou dos meus frufrus e lacinhos cor de rosa? Au au!

- Gracinha! Ainda bem que eu vim de domador, a gente até combina!

- Ah pois é, até porque Cocker Spaniel é uma raça perigosíssima! Que festa legal, hein: Oi tio Anacoluto, que boa ideia se vestir de livro!

- Dicionário, querida, dicionário.

Ai ai, por que não me surpreendo?

- Cris, queria te apresentar um primo meu. Leopoldo, essa é minha namorada, a Cris. Cris, esse é o Leopoldo, carinhosamente conhecido como Frodo.

Ai Zeus, onde escondo minha cara?? Ainda bem que as orelhas são grandes!!

- Boa noite, Cris. Não sabia que cães e gatos podiam se dar bem!

- É, então, tu vê né?

- Ué, não entendi. Que parte da história eu boiei, Cris?

- Mário, tu não tá vendo que ele tá vestido de gato de botas?

Pior que ele é tri gatinho mesmo...Um dia eu aprendo a calar minha boca. E conter meus dedos.

13 de jan. de 2011

Pequena guerra contra a balança

- Moça, a fila pra gestantes é ali, ó.

Merda. Juro: nunca mais uso bata. Cacete, eu emagreço horrores, faço bodyjump, regime, fico sem beber cerveja e me tiram pra grávida? Bem que a Patty Braga me falou que isso podia acontecer. Azar, vou pra fila, tá menor mesmo.

Tá, contas pagas, vou pra casa do Mário. Xiriguidum, saudade do meu neném! Ai G-Zuis, o Webmilton! Droga! Eu era toda apaixonadinha por ele no colégio, esse ogro nunca me deu bola porque eu era gorda. A vaca louca da Gabi me disse que ele tinha voltado pra cidade, mas eu não acreditei. Merda, eu tô de bata! Bom, agora já era.

- Oi, Web.

- Oi Juju, como você tá bonita!

- Nossa, alguém que ainda me chama de Juju... Pois é, tô bem né?

- Tá sim, linda, magrinha. Tentando disfarçar a gostosura com essa blusa folgada, né? Não adiantou, tô te vendo!

(Vai Cris, faz cara de tímida!)

- Ai seu bobo. Não gosto de me expôr, meu namorado não gosta. Deixa eu ir, ele tá me esperando.

- Tá certo. Bom te ver! Aliás, tá uma delícia ficar te olhando!

(Te segura Cris, não canta agora)

- Pode. Só olhar, só olhar... Tchau!

Baba, olha o que perdeu. Baba, a gorda emagreceu, bem feito pra você, é, agora eu sou mais eu. Isso é pra você aprender a nunca mais me esnobar!

10 de jan. de 2011

E quando o vento sacode a cabeleira

- Oi moça, tem tonalizante vermelho?

- Oi bem! Tem tinta e tonalizante, qual cor você quer?

Ai, G-Zuis, vai ser difícil...

- Tonalizante, vermelho.

- Deixa eu ver... No vermelho eu tenho henna, tinta e tonalizante, qual você prefere?

- To-na-li-zan-te.

Acho que agora ela entendeu.

- Hmmm, boa escolha, tonalizante agride menas os fios, né, bem?

Pena que agride mais meus ouvidos. E ODEIO que me chamem de bem!

- Pois é, né, benhê? Quais tons de vermelho tem aí?

- Tem desde o loiro até o preto, qual cor você prefere?

Por que não comprei pela internet?

- Moça, pode deixar que eu escolho, tá? Qualquer dúvida eu te chamo.

- Certo. Se quiser mudar o tom do seu cabelo, bem, vai ter que usar tinta. Você não prefere levar tinta?

- Não, obrigada. Qualquer coisa eu te chamo.

- Certo. O tom mais próximo desse teu alaranjado é esse loiro aqui, ó. Mas daí você vai ter que levar o pó descolorante e a tinta, não prefere a tinta?

Ai mel Dels. Te segura, Cris.

- Não, obrigada.

- Certo. Ah, tem esses novos tons de marrom chocolate, mas é tinta. Você não prefere levar a tinta?

- Moça, ó só, achei o vermelho Granada, quanto tá?

- Ah, bela escolha. Tem ele na tinta também, você não prefere a tinta?

- Tá, eu descubro no caixa, obrigada.

Socorro! Que mulher doida! Bom, deixa eu correr que tenho que arrumar o cabelo antes de ir pra casa do Mário.

- Manhê, cadê o espelhinho? Vou pintar o cabelo no jardim, o dia tá lindo!

- Tá aqui filha, eu tava fazendo exercício de pompoarismo, precisava ver o que tava fazendo. Guria, descobri umas posições novas e...

- Ai mãe, pelamordedeus, me poupa. Deixa, eu consigo pintar o cabelo sem espelho.

Droga, deu tempo de imaginar a cena. Bom, vamos ver: abre aqui, adiciona ali, sacode tudo. Luva nas mãos e vamo’nessa!

(25 minutos depois)

- Juju, por que tua testa tá vermelha?

Ai, droooooooga, esqueci de passar o creme protetor no rosto!! Droga, me pintei toda!

- Sai daqui anta obesa, ninguém te perguntou nada!

- Parece que tu tá usando uma bandana do Inter hahahahahah

- Some da minha frente, infeliz!

Droga, o Mário é gremista, vai me encher o saco. Não acredito que esqueci! Já deu o tempo, vou lavar o cabelo e tentar ajeitar a cara. Nada que um bom corretivo não resolva.

- Aaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiieeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

- O que foi, Julieta? Abre a porta, me deixa te ajudar, tu tá machucada? Responde filha!

- Nada mãe. Só errei um pouquinho na hora de retocar a cor do cabelo, mas deixa que eu resolvo. Tu ainda tem aquele turbante?

(minutos depois, no salão)

- Oi bem! Tira esse lencinho pra gente ver o que pode fazer?

- Oi, ó só... Meu cabelo é pra ficar gritantemente vermelho, tipo granada ou intenso, mas não sei o que fiz que ficou esse verde fralda de nenê!

- É, tá feio. Mas a gente resolve fácil. Primeiro o pó descolorante, depois a tinta, certo, benhê?

Tá, Deus, entendi. Da próxima vez eu escuto a benhê da farmácia!

6 de jan. de 2011

Gramática

- Bom dia. Aqui é o Anacoluto, quem fala por favor?

- Anacoluto? Aqui é a Antonomásia. Ah, vai te catar, isso são horas de passar trote gramatical?

Puta merda. Cinco e meia da manhã, primeira vez que o Mário dorme aqui em casa e o telefone nos acorda? Saco.

- Quem era, amor?

- Desculpa te acordar, paixão. Era um doido se dizendo figura de linguagem...

- Anacoluto?

- É... Por quê?

- Cris, é o tio Anacoluto, que vai levar a gente pra praia!

- Ai meu Zeus, eu esqueci! Desculpa, mas vamos combinar que o nome dele não é muito usual... E a ligação me pegou de surpresa, eu tava dormindo tão gostoso!

- Isso me dá ideias! O que tu acha de a gente...

Triiiiiimmmmmmm

- Alô?

- Oi, aqui é a Eujácia, o Mário tá por aí?

- Bom dia, Dona Eujácia. É a Cris.

- Oi lindinha! Vocês já estão prontos? O Tuto ligou há pouco, mas acho que se enganou, pois me disse que alguém muito grosseiro atendeu.

- Capaz tia! Aqui o telefone não tocou...Bem, dá 10 minutos que a gente tá no jeito!

- Certo fofinha, já nos vemos!

Ufa, ainda bem que fiz as malas ontem. Ai, xiriguidum, depois de uma noite perfeita vem um findi na praia com o meu amor, que delírio!

- Bom dia, meninos! A mim, você pode chamar tio Anacoluto, combinado Julieta Cristina?

- Certo, tio Anacoluto. E que belo anacoluto o senhor construiu na frase, hein?

- Grande menina! Garanto: gostas de gramática.

- Verdade, gosto sim. Agora deixemos de aliterações e vamos à praia?

- Chega de papo, vocês dois: já passei filtro solar e quero tomar um torrão até o meio dia, já pro carro!

- Isso mesmo, tia Eujácia. Tô tri nas pilha de pegar umas ondinha.

- Assassino! Não destrate assim o pai Aurélio!

- Calma, tio Anacoluto, estou apenas parafraseando um surfista amigo meu, é brincadeira!

- Ufa. Então está certo. Sem mais onomatopéias, todos pra dentro do vumvum!

Ai meus sais. Isso vai ser engraçado. Espero...

- Achei que era em Tramandaí, tio... Pra que praia a gente vai?

- Julieta Cristina, isso foi quase uma alit...

- Chega, eu falei! Cris, a gente vai pro Cassino, o Euclides gosta de espaço.

- Euclides? Esse eu não conheço, tia Eujácia.

- É o nosso cachorro, querida. Ele é um pouco grande, por isso a gente deixa ele na casa da praia, tem mais espaço.

- É, não se pode negar que ele tenha espaço no Cassino...

- Bom, chegamos.

Pelamordedeus! Isso é uma casa de praia? Parece um hotel-fazenda com faixa litorânea! Ó só, tem até um bezerro ali na varanda! Ele tá vindo pra cá. Credo, como corre!

- Socoooooooorrooooooooooooooooooo!!!

- Euclides, junto!

- Alguém anotou a placa? Uma jamanta me atropelou.

- Bela metonímia, Julieta Cristina. Este é o Euclides, nosso dog alemão. É um belo cão, não é? Vem, garoto.

- Bonito sim, tio Anacoluto. E um belo desenhista, olha que beleza de arte ele fez com as patas na minha blusinha branca...

- Ora, esta menina está se revelando uma grata surpresa! Acertou na ironia!

- Pois tu vês, tio, nem foi intencional. Eu devia estar acostumada, a Sinfonia não é muito diferente. Esses cuscos são a antítese do “cão de estimação”... Tá, vou me trocar, vamos dar uma volta na praia, Mário?

Feitoria. Biquininho novo, chinelinho combinando, bloqueador solar...

- Tia Eujácia, passa protetor solar nas minhas costas?

- Claro querida, chega aqui. Vou usar o meu, tá?

- Mááááário, tá pronto?

- Querida, o Mário foi na frente com o Anacoluto, pediu pra você encontrá-los na praia.

Ai, ai, que maravilha... Tá, né, fazer o quê... Aiiiii, e chega de eufemismos, prosopopéias e catacreses. E que vá se catar o português correto. Droga, cadê esse povo? Já tô caminhando há uma hora e meia e nada deles. Legal, né? Pedem pra gente se encontrar na praia... será que alguém lembrou que a gente tá na praia do Cassino, a maior do mundo? Onde tá o Google Earth quando a gente precisa dele? Pera... Google Earth... Eu deveria procurar pelo bezerro, digo, cachorro. Como é mesmo o nome? Pleonasmo? Não, merda, é nome de gente, de algum livro daqueles que obrigam a gente a ler no colégio... Escobar? Não, esse é o corno da Capitu. Eurípedes? Não, essa é a mulher do Orfeu. Ai, o Tony Garrido... Volta, Cris, a hora do recreio é depois! Como é o nome daquele potro? Demóstenes? Não, esse é meu ex. Bela fonte de nomes esquisitos, a minha lista de ex. Só o Mário se salva, mas a família dele tem cada obra! Droga, não viaja guria, como é o nome do cusco? É com E. Eustáquio? Ermenegildo? Euzébio? Ercílio?

- Euclides, não!

Isso! Euclides! Aaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!

- Alguém anotou a placa? Acho que uma jaman... Aaaaaiiiiii que dor nas costas!

- Amor, tá tudo bem?

- Morri e tô no céu, mas com as costas no inferno. O que houve, Mário?

- O Euclides te achou na praia, pulou em ti e te derrubou. Tu bateu a cabeça numa planonda e desmaiou. Só não sei porque tu passou protetor solar no corpo todo menos nas costas, tem até bolhas de tanta queimadura!

- Eu passei sim! Na verdade, a tia Eujácia passou o dela...

- Tia Eujácia???? Ela só usa óleo de côco!!

- O que mais pode acontecer, pelamordedeus?

- Jujuuuuuuuuuuuuuuuu!!

- Ai não. O Paulo Afonso nãooooooooooooo!!!!!

3 de jan. de 2011

Pô, seu guarda!

Xi-ri-gui-dum, que saudade do meu bofe... Esse período de provas na faculdade acaba com o meu tempo, e ficar mais de cinco dias sem ver o Mário é muito mais do que meu coração aguenta. Ainda bem que ele mora aqui perto da clínica, assim eu posso sair do trabalho e dar um beijinho nele, antes de ir pra casa enfiar o nariz nos livros. Droga, ninguém vai arrumar essa calçada? Todo dia eu tropeço nessa pedra! Tá, chega, vou atalhar pelo beco. Ai que meda, tá escuro! Ontem eu passei aqui na frente e tinha uma luz ace...

- Cala a boca e passa a bolsa!

- Calar a boca como, se eu tava quieta?

- Cala a boca mocréia. Me dá a bolsa e o celular!

- O quê? Minha bolsa lindamente falsificada que ganhei da mãe de Natal? Nem a pau, Juvenal!

- Como é que tu sabe meu nome? Não olha pra minha cara, piriguete, e passa a bolsa!

- Ó aqui, piriguete e mocréia são a pu...

- Polícia, solta a moça!

Aaaaaiiiiiiiiiiii! Legal, agora o fedorento tá com a mão nojenta na minha boca, me encoxando, e eu tô entre ele e a polícia. Porque eu não escuto a vó Taurina? “Guria, não anda sozinha em rua escura”. Bem feito, Julieta Cristina.

- Tu tá cercado, meliante. Solta a moça e te entrega.

- Como é que eu tô cercado se isso aqui é um beco? Sai da frente senão eu atiro na gordinha aqui. Ô guria, vai morder a mão da pu...

Nojooo! Não acredito que mordi a mão sebosa desse cara!

- Aqui ó, gordinha é a mãe! Me larga ou tu vai ser enquadrado como ladrão. E não me agride, olha a Maria da Penha!

- Maria da Penha é o cacete! Me dá a bolsa ou eu bato em ti, na polícia e nessa Maria da Penha aí. Onde tá essa?

- Peraê. Tu tá me ameaçando com um pirulito no bolso?

- Claro que não, gorda! Tô armado, não tá ve... aaaaiiiiiiiiii!

Ah, te catar. Me assaltar tudo bem, mas me chamar de gorda e com um pirulito no bolso?

- Que coragem, hein moça? Belo gancho de esquerda, a senhorita treina boxe?

- Não, seu guarda. Eu tenho um irmão mais novo...

- Ah, perfeitamente. A senhorita gostaria de registrar queixa? Seria um prazer acompanhar uma moça tão bela até a delegacia.

Puta merda. Não me bastasse o fedorento me encoxando, agora um Pedro Paulo de bigode me cantando?

- Eu vou, seu guarda. Só tô ligando pro meu namorado ir comigo... Eita, olha ele passando ali!

- Mário, tô aqui!

- Cris, eu tava preocupado, o que houve? Tio Vespúcio, quanto tempo que eu não te via!

Meu São Tomé das Letras, será que só o Mário tem nome comum nessa família?

30 de dez. de 2010

Xi-ri-gui-dum

“Ai ai! Acho que essa temporada na casa do meu pai vai ser boa pra minha cabeça, a vida aqui é bem mais zen. Tirando o fato do meu pai ter uma adoração excessiva por Shakespeare, ele até é uma pessoa normal e inteligente. Até já to sentindo saudade daquele gordo desnecessário do Paulo Afonso, mas pensando o quanto ele me azucrina, a saudade já passa. E vai ser bom para a mãe criar juízo e assumir as responsabilidades... Ai não!

- Paieeê, o Hamlet tá aqui no meu quarto, tira esse rato daqui!

- Não é rato, filha, é um esquilo. E trate bem dele, tu não tens noção o quanto foi difícil conseguir licença pra criá-lo aqui. E domesticar, então...

- Tu diz domesticar um animal que espalhou minhas maquiagens por todo o quarto?

- Ele é uma criança brincalhona.

- E bagunceira, agora tira ele daqui. Preciso me arrumar.

- Vai sair hoje?

- Vou.

- Posso saber com quem?

- Um carinha que conheci no carnaval. Mário.

- E o que ele faz?

- É traficante, tem 2 piercings na boca. Ficam lindos nele.

- JULIETA CRISTINA! Eu não vou...

- Relaxa pai. Ele é recém formado em Direito, quer ser advogado, semana que vem é a prova da OAB dele.

- Formou-se e continua sendo nada. Típico de estudantes de Direito. Entre o advogado e o traficante não sei qual escolher.

- A escolha é minha, pai.

- Eu sei, amada minha. Eu sei. Boa sorte e juízo nesse corpinho.

- Obrigada pai.

“É outro nível esse meu pai. Vou com meu vestido vermelho. Tá, tô nervosa. O Mário é tão gatchinho”.

(Ao chegarem ao restaurante em que iriam jantar).

- Ai, me solta!

- O que houve, Ju?

- Enrosquei minha bolsa na cadeira.

- Ah sim, as cadeiras tem essa louca mania de segurar as pessoas.

- Obrigada por contribuir com a vergonha que sinto nesse momento.

- Gosto da cara que tu faz quando fica com vergonha e a tua auto-indignação me diverte.

- Sem graça, você, hein?

- Não sabe receber elogio?

- Ah! Foi um elogio? Muito obrigada.

- De nada. Bebemos vinho?

- Ótimo.

- Faz dois meses que a gente se conhece, conversamos seguidamente, só agora que a gente está saindo juntos, mas tinha certeza que seria divertido.

“Ai, nervosa. Que fofo! Eu tava louca pra sair contigo, bofe. Toma um gole de vinho, Cris, fazer charminho pra responder é o que há. Não tire os olhos dele, fixe. Merdê. Ai, não, derrubei o vinho dentro do meu prato. Desastre!”

- Opa.

- Vai dizer que você gosta de tomar vinho de colher?

- Ai, não brinca, tu ta vendo o desastre que eu sou, se quiser, podemos ir embora.

- Por isso? Eu to adorando estar aqui.

- Isso não me faz sentir melhor.

- Ju, olha pra mim.

- Oi, tô olhando!

- Quer namorar comigo?

27 de dez. de 2010

Ex bom é ex morto

“Dá a impressão que o ano começou só agora, no mês de abril. Definitivamente. Emprego novo, solteira à procura, último ano de faculdade. Eu preciso mudar minhas energias. Aliás, tem um relógio parado na minha gaveta, é hora de fazer ele voltar a funcionar. Não quero nada parado na minha vida.”

Juju nem tinha levantado da cama e o pensamento já estava a mil, fazendo planos e tranquila, tinha certeza que as coisas começariam a dar certo.

“Merdê, a coleção de revistas dos anos 80 do Enetermos ainda está comigo e eu tenho que devolver. De hoje não passa. Trabalhar no sábado de manhã tem suas vantagens, vou passar na casa dele e deixar com a sogra. Opa, ex-sogra, preciso me acostumar com isso. Pronto, ninguém mandou ele ser dorminhoco... adorava dormir com ele... tá, passou. Não passa. Respirando fundo... passou.”

(Na casa da sog...ex-sogra):

- Oi, Juju

- Oi sogrija... opa, agora é ex.

- Ah! Tudo bem, você sempre será minha nora preferida, mesmo nem sendo mais minha nora.

- Pois é, dona Masoca, mas só passei pra deixar estas revistas do Enetermos caso ele precise. São dele mesmo. Mas já vou indo, tenho que ir trabalhar.

- Não sem antes tomar o meu café, eu sei que tu adora.

- Golpe baixo. Não resisto. Mas não posso me atrasar.

- Serei rápida, a água já está quente. Aproveitaremos o tempo pra pôr as fofocas em dia. Hoje é aniversário do meu irmão, não ta a fim de comemorar com a gente?

- Ah não, obrigada. Não é conveniente. Adoro a família de vocês, mas não é certo eu estar aqui nessa situação.

- Bom, é você que sabe, mas está convidada.

(após o café, já no trabalho)

“Xiriguidum. Esqueci meu celular na casa do Enetermos. Saquê! Droguê, ainda não me livrei do francês. Mas enfim, porque eu sou tão tonta? Vou ter que passar lá depois, e se aquela coisa osca já estiver acordada? Aieeê, eu não quero ver ele. Triste”

- Julieta.

- Oi, Dr. Tusnildo.

“Até meu chefe está na saga dos nomes esquisitos da minha vida”.

- Precisamos conversar. Vou precisar de você hoje a tarde, tempos três pacientes que precisam de sessões extras de fisioterapia. Depois acertamos isso, quem sabe um dia de folga na semana que vem, tudo certo pra você?

“Ótimo, sábado todo trabalhando”.

- Tudo certo sim, só vou ligar pra casa pra avisar. E outra, vou precisar usar o telefone da clínica.

- Tudo bem, conto com você então.

(final de expediente)

“É, respirando fundo porque possivelmente vou encontrar o Enetermos em casa. Lixê! Nunca alcanço essa campainha. Pulando, ui, alcancei. Como tá cheio de carros aqui na frente. Ah não, o jantar do tio que não é mais meu tio Esmerildo. Vou sair, amanhã pego esse maldito celular, ou compro outro. Abriram a porta, ai, me viram”

- Oi, Juju, fugindo de alguém.

- Da polícia, não quero que eles me encontrem, vim pedir refúgio.

- Sempre com seu bom-humor.

“E tu sempre com esse sorriso lindo, que vontade de me atirar nos teus braços”...

- É, minha mãe não concorda com isso.

- Combinemos que tua mãe não deve ser muito considerada pra opiniões, não é?

- Sim, mas enfim, só vim buscar meu celular que esqueci hoje de manhã.

- Ah sim, entre, a mãe até comentou comigo.

- Legal participar da festa de família de uma família que não é mais minha família.

- Acontece Julieta. Acontece. Mas tu esqueceu esse celular de propósito, né?

- Agora eu lembro bem porque a gente terminou, pelos tantos momentos que tu me faz te odiar. Não, não esqueci de propósito e nem tava a fim de ver tua cara.

- Opa, ta braba?

- Sim, qual é a pessoa que quando finalmente resolve dar um basta com qualquer lembrança que tenha do ex, consegue esquecer o celular na casa dele?

- Você, ora.

- Sim, eu, por isso que eu tenho plena convicção que pra eu viver, só me matando mesmo.

23 de dez. de 2010

Ne me quite pás

“Apolo, já volto pra te buscar!”

Ui, xiriguidum, o nome do gato é Apolo! Parece um Apolo mesmo... Muito além do bonito, todo loirinho, de olhos azuis... E agora que o outro cara saiu de perto ele tá com essa carinha de perdido! Aieeee coisa fofa!

Essas coisas só acontecem comigo. Definitivamente, a Lua tava minguante no dia que eu nasci. E Nossa Senhora da Bicicletinha tava menstruada, só pode. Tô bem sentada na Redenção, resolvi vir comprar uma Revista Piauí e o tal do Apolo com uma na mão. Óbvio, como eu sou uma pessoa de muita sorte, SÓ TEM UMA. Tá, o guri é tetra lindo, mas será que ele vai demorar muito pra resolver qual revista ele quer? Ah não... Agora ela vai ficar namorando a capa? Chega!

- Oi, com licença... Apolo, né? Por acaso tu não sabe ler? Tá há 2 dias com a Piauí na mão e nada? Te decide!

- Diescoulpa menena, eu nau ser daque, nau consego saber como paga.

Ai tadinhooo... E que vergonha!

- Ah, desculpa. Eu te ajudo! É só essa revista?

- Oui. Sorry, quer dizer, sim.

- Faz assim. Já que tu não vai entender nada do que tá escrito e eu quero levar pra casa (a revista), eu compro, a gente senta ali embaixo daquela árvore e eu leio os textos pra ti. Que tal?

- Magnifique!

- Olha que legal, eu até sei cantar aquela música da Cássia Eller... nooon, riã de riã, nooon, jê ne regrete riãnnn”

- Parece muito com uma da Edith Piaf, mas a letra é diferrant.

- Ah, deve ser outra música mesmo. (Cala a boca, Julieta Cristina!)

Feito, vou conhecer uma língua francesa! Ainda bem que prestei um pouco de atenção às aulas de francês que o pai pagou. E era chato pacas!

O papo fluiu com certa dificuldade, mas Apolo não entendia a real intenção de JuCris.

- Bem, vamos tentar de outra forma. Meu nome é Cris, e o seu?

- Apolinaire, me chamam Apolo.

O Murphy me odeia. Até em francês os caras têm nome estranho?

- Tô te achando meio acanhado, Apolo. Tá com vergonha? Ou é o calor?

- Excuse moi, Cris, eu estar preocupado com Alistair.

- Alistar? Eu tenho um de cada cor, às vezes até saio calçando um de cada cor. Mas deixa isso pra lá. Algum problema com os teus? Nem pisou em nada!

- Non, mon chéri, Alistair ser o que estava comigo. Como se diz em português... boyfriend?

- Amigo? É que aqui no Brasil, quando falam boyfriend, a gente entende como namorado.

- Isso, namorrado! Ele saiu para buscar nosso carro e ainda não voltou.

“Merdê!! Atê em Francê, acontecê essas comiguê. Ajudê!”

20 de dez. de 2010

A vida é quase uma merda

Xiriguidum, emprego novo! Na real, finalmente um emprego, porque antes eu era escravejária, agora estagiária. Até o toque do celular dizia isso. Trabalhava igual uma condenada, ganhava igual uma mendiga em dia de chuva. Fora que era um escritório, burocracia, papelada, chefe xarope, mulher do chefe insuportável, colegas pedantes. Uix, até “pedante” eu aprendi a falar.

Aí consegui essa vaguinha aqui. Coisa boa, né? Clínica de fisioterapia, bem na minha área! Gente bacana, bem vestida, clientes ricos e limpinhos. Ai, ai, viver é bom!

A única coisa desagradável é essa escadaria. MeL DeLs, até já decorei a sequência: 8 degraus, dois passos, onze degraus, dois passos, nove degraus, um passo, vira à esquerda, seis passos, vira à direita, abre a porta e eis-me aqui. Óbvio que tem um elevador pros clientes, mas subir escada te ajuda a subir na vida!

- Bom dia, senhor, em que posso ajudar?

(Ai, tadinho do tiozinho, subiu pela escada!)

- Bom dia, senhorita... deixa-me ver teu crachá... Julieta Cristina. Olha que legal, é o nome da minha bisavó!

(vou matar esse velho)

- Que coincidência, não é? Em que posso ajudá-lo?

- Tenho consulta marcada com o Dr. Mazandro.

(Aff... isso nunca vai acabar? É cada nome que me persegue...)

- Ah, pois não. Qual é o seu nome?

- Nabucodonosor.

(Pelamordedeus...)

- Um momento, senhor, não estou localizando seu cadastro.

(O enfermeiro engraçado e piadista chega, enquanto o paciente se apoia no balcão para olhar o monitor e acaba soltando um mega peido. Sai correndo, pedindo desculpa, enfermeiro gargalhando, Juju não sabe o que fazer.)

- Senhor, o Dr. Mazandro está aguardando! O elevador é à esquerda! Ai, G-Zuis! Frederico, me ajuda!

- É Ferdinando hahahahahha. Pera, vou buscar o peidorreiro. Õ seu Nabuco, volta aqui!

- Ferdinando, tira a mão do nariz, tadinho do Seu Nabucodoseiláoque.

- Ô seu Nabuco, pelo menos fica respirando aqui até esse fedor passar! Puta merda, tu comeu urubu ensopado? Que futum hein??

- Tá explicado, Fer... O sobrenome dele é Phlattum!

Ai ai. A vida é uma obra!

16 de dez. de 2010

Sábado de sol

(Nossa querida JuCris vai com a mãe para o clube.)

- Mãe, que que é isso?

- Ué, eu de biquíni.

- Mãe, que biquíni é esse? Pelamor!

- Ué, o biquíni de oncinha que te dei e tu não gostou.

- Sim, é minúsculo! Mãe, cadê a parte de trás do biquíni?

- Tá no meio da minha bunda, ué. É fio dental, tu queria que ele fosse do tamanho do teu?

- Mãe, pelamordedeus. Tu tem o dobro da minha idade, o dobro do meu peso e esse teu biquíni é menos da metade do meu!

- Olha aqui guria. Eu não tenho o dobro da tua idade, tu que tá com a idade que eu tinha quando tu nasceu. E se eu tô fora do peso, é porque tive o dobro de filhos que tu teve. E esse teu biquíni era da tua avó!

- O dobro de zero é zero, anta. Eu não tenho filhos, então tu não pode ter o dobro de filhos... Deixa essa parte pra lá. E esse biquíni era da vó quando ela tinha a minha idade e nem pensava em ser mãe. Ela não foi precipitada igual a ti.

- A tua vó era uma vadia quando tinha a tua idade.

- Ah sim, e tu tem toda a moral do mundo pra dizer isso.

- Julieta Cristina, não é porque tu tem vocação pra freira que vai me ofender assim!

- Mas é tu que tá ofendendo meus olhos com esse biquíni! Aliás, unoquíni, porque a parte de baixo inexiste! E me chama de Cris, tem dó.

- Bom, é o seguinte: tem um gatão numa mesa perto da porta do banheiro. Tô de olho, e ele vai ficar babando na gatona aqui. Então me deixa, que hoje eu tô de boleira.

- Ai mãe... é "de bobeira". Nem a letra da música tu sabe e fica se fazendo...

- Monga, ele tava jogando futebol, por isso que eu tô de boleira.

- Tu tá é de maria-chuteira. Parecendo o solado.

- Tá, vamos pra piscina que tá quente aqui dentro.

- Devem ser tuas nádegas se roçando e gerando calor.

- Guria, tu me respeita! Vem logo.

Credo, a mãe tá bi-zar-ra com esse unoquíni. O jeito foi correr dela, a água da piscina tá bem fresquinha, delícia! Ai xiriguidum, o tal do gato é um gato mesmo! E tá vindo pra cá, se eu mergulhar ele não vai me ver, vergonha alheia...

- Oi bonita.

(“Droga. Saí bem na frente dele. Será que meu nariz tá sujo?”)

- Oi, tudo bem?

- Tudo. Tava te olhando desde que tu chegou aqui no clube com aquela... aquela senhora ali. Ela pegou o biquíni da filha, será?

- Me olhando? Hihihi... Assim eu fico tímida! Bem, aquela senhora ali... ela tem problemas mesmo, o médico disse pra não contrariar.

- Que coisa, né... Eu prefiro mulher assim do teu jeitinho, mais comportada, a gente fica pensando no que tá escondendo...

- Capaz, eu sou tão comunzinha! Depois a gente se fala, vou ali tomar um suco com a "estranha" pra ela não surtar.

- Ah, tá certo... Depois eu passo na tua mesa pra pegar teu número de telefone, tá? Quero te conhecer mais.

- Tudo bem. Hihihi. Eu sou a Ju, como é teu nome?

- Eu sou o Bruno.

(“Socorro! Lindo, perfeito, atencioso e com nome normal, tá bom demais pra ser verdade”!)

- Julieta, filha, teu biquíni tá todo transparente! Hahahahaha e eu que sou a oferecida!

- Para de gritar manhê!

Será que, se eu cuspir no chão, consigo sair nadando até o esgoto mais próximo?

13 de dez. de 2010

O encontro inesperado

"Que saudade que eu tava de ouvir o meu amor no rádio. Não há um mísero dia que eu não sonhe com essa voz rouca e macia. Sonhar é pouco, imagino o beijo e ele falando coisas no meu ouvido. Essas férias dele quase me mataram. Uma semana de absoluta saudade e solidão".

- Bom dia, Julieta...

- Juju, mãe.

- Julieta Cristina, trouxe tuas roupas pra guardar. Qual é a boa pro final de semana?

- Tem festa à fantasia e...

- Que máximo, faz tempo que não vou a uma festa à fantasia, bem que poderíamos...

- Mãe, eu disse que EU vou. EU.

- E eu to dizendo que quero ir, algum problema?

- Sim, tu é minha mãe.

- E tu é minha filha. Devo ir vestida de Mulher Maravilha. Ela é a minha cara.

- Mãe, não é festa do ridículo.

- Me respeita, guria!

- Pode dar licença? Quero ficar sozinha.

- É bom mesmo, reflita.

Óóóódio, Minha mãe acaba comigo. Poxa, tava louca pra ir nesta festa. Curiosíssissíssíssima pra saber quem é o DJ surpresa. Não acredito que a minha mãe vai ir. Ela sempre me esfola a cara de vergonha.

"Deus, se tu existe, dá juízo pra minha mãe!?!?! Juro que não peço mais nada pro resto da vida".

"Caraleo, vou nessa festa nem que seja morta. Preciso de uma boa fantasia pra nem minha mãe me reconhecer. Perfeito! Nada como um havaiana velho, uma calça de abrigo suja e rasgada. Peraí, a tira do havaiana merece um remendo pra garantir que nada dê errado. Camiseta desbotada e manchada pra dentro das calças, ok! Boné, dentes devidamente careados, opa, pintados, maquiagem pra me parecer mais velha, ou melhor, velho. Pelo amor de meu útero, que eu nunca conheça um homem tão feio quanto eu estou. É o quadro da dor na moldura do desespero. Acho que a mãe vai se incomodar um pouco. Pressinto."

Três horas depois, já na festa...

"EU NÃO ACREDITO! SIMPLESMENTE O MUNDO CONSPIRA CONTRA A MINHA PESSOA! O DJ da festa... é ele, o amor da minha vida. Tá ali na minha frente o cara que eu sempre sonhei. Ele, que a voz já me faz desmaiar. Preciso convencer a mamãe a me ajudar. Mamãe? Eu falei mamãe? Ai, ainda bem que só pensei".

- Mãe, tu precisa me ajudar.

- Julieta, é você? HAHAHAHAHA

- Mãe, tô desesperada.

- Tu tinha me avisado que não era festa do ridículo, mas parece que esqueceu.

- Não brinca, tô sofrendo, me ajuda!

- O que foi, meu anjo?

- Mãe, o Dj da festa é meu sonho de consumo, há tempos, como vou conhecer ele desse jeito?

- É, tu vai espantá-lo.

- Tu não entendeu. Quero que troque de fantasia comigo.

- Sai pra lá, jacaré. Te vira!

- Poxa mãe, tu não faz nada pra me ver feliz, né?

- Pressão psicológica, agora?

- Longe disso, queria que essa noite fosse perfeita.

- Ó, minha filha, meu docinho. Dá aqui um abraço, eu vou te ajudar. Vamos no banheiro.

- Obrigada, mãe... Precisamos mesmo ir de mãos dadas?

- Tu quer que eu me arrependa de te ajudar?

- Não. Já estou bastante envergonhada por hoje.

- Uhuu, casalsinho bacana, hein?! A Bela e a Fera.

"Ai não, eu conheço essa voz"

- Ora, seu, eu preciso ajudar a minha filha a conhecer o DJ dessa festa e...

- Esse monstrinho... é tua filha?

- É, desgraçado!

- Mãe...

- Julieta Cristina, não me segure, fica na tua, eu não vou deixar que um qualquer faça piadinhas só porque tu está um lixo humano e...

- Obrigada, mas...

- Mas nada, Juju. E tu, seu idiota! Minha filha ama aquele cara, e vou provar que meu frufruzinho é linda e que ele ainda vai cair aos pés dela.

- MANHÊ! CHEGA!

- Sai daqui, bocaberta. E quanto a ti, Julieta, não te ajudo mais a se encontrar com o amor da tua vida.

- Não te preocupa, tu acabou de espantá-lo.

Você quer dizer que...

- Sim, o cara que levou de ti as cinco bolsadas nas costas era ele.

- Ai, filha.

- Vamos tentar não ter pena de mim? Já estou mal o suficiente.

- Vamos trocar nossas roupas, vou embora.

- Jura? Ta falando sério?

- Já te fiz mal que chega.

- Tu é a pior mãe mais legal do mundo.

- Divirta-se Juju, e juízo. Só mais uma coisa... como é o nome dele?

- Joelmir.

- Mereceu o chute na canela.

9 de dez. de 2010

Miopia Carnavalesca

"Nem dá pra acreditar que minhas pseudo-férias já acabaram. A única coisa que fiz foi assistir BBB e cuidar do abostado do meu irmão. Aquele maldito estágio me mata. Sem décimo terceiro, sem férias, é pra frustrar qualquer ser humano em transição para o mercado de trabalho. Apesar de tudo, o carnaval foi interessante. Muito interessante, eu diria. Tudo bem que amor de carnaval não deve ser levado a sério, mas aquele sorriso... Nossa Senhora da bicicletinha, daí-me equilíbrio pra não enlouquecer. Quer sorriso!!! Ai, morri..."

"Ele só pode ser gay, não é possível que exista um cara tão perfeito pra mim e, o melhor, com nome normal: Mário. Chega a ser mágico.
Mário. Aiii que coisa fofa!".

- Jujuuuuuuuuuuuu. Não esquece da tua aula, tu vai se atrasar.

Sempre tem uma mãe..."

Não vou me atrasar e jamais esqueço quando o inferno bate na minha porta, não se preocupe... mãe!

Por que ela insiste em me deixar de mau-humor? Saco. Mas e o Mário? Que coisinha, me fez até esquecer o Enetermos. Aliás, Enetermos superou todas as minhas expectativas em relacionamento. Óbvio que o nome foi a primeira coisa que me fez achar que ele fosse o amor da minha vida".

É, eu fui feliz ao lado de um cara que se chama Enetermos, e eu gostei dessa mala. Pronto, passou. Não tinha como continuarmos juntos. Jamais aceitaria ter um filho com nome de Pedeferimento. Nem morta."

Brr.. brr.. brr...

"Meu celular ta vibrando em algum lugar"

Brr... brr.. brr.

- Sinfoniaaa, devolve isso... Aaaaah, olha o que tu fez com meu celular! Agora ta babado de cachorro... cadela.. ah, ta babaaadoo.. Que noooojo.. odeio.

"Odeio número desconhecido também"

- Alô?!

- Oi.

- Quem ta falando?

- Já esqueceu de mim?

- Olha, eu nunca lembro de quem eu não conheço.

- Teu carnaval foi tão ruim assim? Que tal um vinho pra acalmar?

- Mário? É você? ("Me sinto idiota neste momento")

- Parabéns, você acabou de ganhar um gambá morto.

- Ah! Só o vinho já me basta. Mas como conseguiu meu número?

- Um amigão meu disse que te conhecia quando comentei de você.

- Andou falando de mim?

- Bem, mas falei.

- Hmm, e posso saber quem é o amigo?

- Você morreria rindo se soubesse o nome dele.

- Se ele tem meu telefone, acho que é bem possível que eu também o conheça...

- É verdade!

- Então diga, não sou preconceituosa quanto a nomes.

- Bem, ele se chama Enetermos.

- Você... tu.. er... tipo... Vocês se conhecem?

- Nossa! Parece que não gosta dele.

- Gosto sim, mas... Vocês?!?!

- É, ele é meu melhor amigo só...

- Mário, tenho que ir pra aula. Adorei que meu ligou, mas preciso ir... beijo.

"Nããão! Não dá pra acreditar que é o mesmo Mário que o Ene queria tanto que eu conhecesse. Aliás, agora conheço, e conheço bem mais que o Ene imagina. Ou agora, sabe. Tentativa de reatar namoro abortada. CUPIDO VESGO!” "

- Julieeeta! Teu ônibus passa daqui a pouco. Já ta pronta?

- Tchau mãe, to indo.

"Preciso de férias, definitivamente"

6 de dez. de 2010

A cada 4 horas

"Eu sei que tenho sorte em trabalhar só um sábado por mês, mas a maldita da escala tinha que me escolher bem no fim de semana que menstruei?

Pior é que hoje tem festa, queria ir de calça branca, mas aí teria que usar absorvente interno. e sempre esqueço de trocar depois de 4 horas... Azar, vou trabalhar usando absorvente interno, mesmo,. pra acostumar com a troca.

Puta que pariu, logo hoje esse escritório tinha que ficar tão cheio de gente? Aiii, xiriguidum, que estagiário lEEEndo! Ainda bem que vim de saia!

- Bom dia Julieta Cristina, já conhece o novo estagiário?

- Ainda não Dr. Roque, bom dia pro senhor também ("Velho filho de uma puta gorda, pra que me chamar por essa maldição de nome? Aposto que a vadia da secretária dele não foi apresentada como Ginólea...").

- Oi, tudo bem? Meu nome é esse que o chefe disse, mas o pessoal me chama de Cris.

- Olá Cris, estou um tanto quanto nervoso mas vou bem... Sou o Aélcio.

“Putz grila, Aélcio... meu pai, pelo menos, buscou inspiração em Shakespeare..."

- Onde vai estagiar, Aécio?

- É Aélcio. Vou ser teu estagiário, o chefe não te falou?

- É mesmo? Legal, o serviço ta acumulando aqui mesmo, tô sozinha nesse setor.

"E fico aqui sem fazer nada, descalça e jogando paciência. Já vi que esse guri vai me atrapalhar. E logo hoje, que menstruei e comi feijão na janta de ontem? O banheiro vai ficar pesteado e ele vai saber que fui eu!"

- Bem, vamos trabalhar. A esposa do chefe trocou o mobiliário do escritório, precisamos organizar os fichários.

- O Dr. Roque já havia me solicitado este procedimento.

- Élcio, tu sempre fala assim tão certinho?

- Meu nome é Aélcio, e sim, sempre busco a correção ortográfica.

"Caralhos me fodam, que guri chato! E já tá passando da hora de trocar a porra do absorvente! Deixa-me ver: celular, bolsinha com absorv... Saco, a saia não tem bolso. Azar, vai mocadinho na mão. Droooga, a pia ta toda molhada, vou ter que ficar com o celular pendurado na boca, ainda bem que ele tem piercing! Vamos lá... tira, coloca nãããooo acreditoooo! A porra do absorvente. caiu dentro do vaso! Não, para o mundo que eu quero descer aqui... O banheiro tava entupido até ontem, o chefe gastou um dinheirão pra arrumar... Tô fudida, sei que to... E a culpa é desse merda aí, o Sr. Certinho, se não fosse ele eu podia ter deixado o celular na sala! Tá, azar, já era, vou colocar o outro e sair dessa merda de banheiro. Putz, agora até o plastiquinho caiu no vaso! Foda-se."
- E aí AÉLCIO, tudo certinho?

- Tudo certo, Cris. Já organizei os fichários em ordem alfabética, e dentro desta ordem a cronológica, assim fica mais fácil a localização dos clientes.

"Desgraçado! Eu ia enrolar a semana inteira com a porra do fichário!"

- Puxa vida, quanta competência! O que você ta estudando?

- Biblioteconomia.

"Já vi tudo. Um estudante de biblioteconomia e uma de fisioterapia, assunto zero.".

Quatro horas de silêncio depois...

"Beleza, meio dia, hora de fugir daqui e ir direto pra casa me arrumar pra festa da noite!"

(Festa perfeita, JuCris estava linda e ficou bêbada, como sempre).

"Podiam inventar um absorvente interno que pudesse ficar 24 horas. Saco. Ainda vou ter que trocar a calcinha, porque a merda do absorvente não gruda em calcinha de lycra. Se eu ficar me mexendo muito vou acabar vomitando. Ó, já tô enjoada e nem colei a merda da aba da merda do absorvente na merda da calcinha... tem que dar tempo, tem que dar tempo, deu tempo, bléééé"
(comentários se fazem desnecessários).

- Sinfonia, sai do quarto, quero dormir!

- Julietaaaaaa!

- Que tu quer, ET de São Tomé das Letras?

- Esse paninho vermelho no chão do banheiro é teu?

"Puta que me pariu, esqueci a merda da calcinha no banheiro”.

- Dá isso aqui, guri fedorento.

"Ai que vergonha, os amiguinhos dele tão aqui em casa, será que viram?
Estranho, coceirinha na perseguida...Drogaaa... esqueci de tirar o absorvente interno antes de dormirrr..."

2 de dez. de 2010

Ado, a-ado, o sonho tá acabado…

- Bomxibomxibombombom, Julieta! Bomxibomxibombombom, Julieta!

- Sai daqui, gordo desnecessário!! Tô me maquiando e tu me atrapalha,vai ver se eu tô na esquina lá em Passo Fundo, seu merda superdesenvolvido!

Vê se isso é música que se cante... Credo. Vai saber o que a mãe e o pai do PA tavam escutando quando fizeram ele? Devia ser Gera Samba. Será por isso que ele é um bundinha, aprendiz de bundão? Azar o dele, pelo menos meu pai curte música erudita. Tá, ele também é um pé no saco, mas pelo menos é culto e instigante. Cris, abstrai esse papo de família, hoje é o teu dia, a formatura vai ser tudibão e tu emagreceu os quinhentos gramas que te impediam de usar o top tomara-que-caia de paetês!

- Dumdumdumxiriguidum, hoje é o dia! Dumdumdumxiriguidum, hoje é o dia! Afffff... fiquei com essa tranqueira na cabeça. Azar, tô feliz! Daqui a pouco a Lidy passa aqui pra me pegar, depois é só alegria,xiriguidum!

- Dumdumdumxiriguidum, hoje é o dia! Dumdumdumxiriguidum, hoje é o dia!

- Lidy, que loucurama, só tem gato nessa formatura! Que curso é mesmo?

- Astrologia, Física Quântica e Medicina Alternativa, eles se juntaram se não seriam poucos convidados...

- Se eu soubesse que esses cursos eram tão bem freqüentados, eu não teria feito vestiba pra Jornalismo! Aliás, isso ia me poupar de ouvir muitas piadas sem graça...

- Cris, sua bocó, 90% dos gatos dessa festa são bibas, os outros 10%ainda não se decidiram se são álcool ou gasolina...

- Ui! Medo! Será que eu consigo trazer algum indeciso pra luz?

- Ué, tenta, tu tá linda!

- Tá, vou ligar o radar e vamos ver no que dou, quer dizer, no que dá...

Hmmm... Esse tá de sapato roxo, certo que é biba. Calça xadrez... não. Óculos fundo double de garrafa, tô fora! Cabelo com luzes, fora também. Aquele ali parece que fez a barba com cera quente, credo! Uma guria com o vestido igual ao da mãe... hahahaha, na mãe fica melhor! Aquele ali tá dançando Kung Fu Fighting, também deve ser biba... Tá ficando difícil!

- Lidy, olha que gracinha aquele ali de preto, cabelo meio arrepiadinho, com um copo de uísque na mão, ali... encostado na parede, tá vendo?

- Criiis, eu já vi essa diliça na facul! Ele veio de outra cidade, acho que de São Paulo. Tá no quinto semestre de economia, a Cami tá de olho nele.

- Azar, detesto a Cami, vou furar a fila! Ele parece bem desnorteado, teoricamente não é indeciso. Conhece algum daqueles nerds ao lado dele?

- Conheço o meu primo, o Davaldísio, que tá de camisa xadrez vermelha, o de óculos.

- Davaoquê? Fala sério, Lidy...

- Qualé, Julieta Cristina!

- Tá, parei, Lidisleinny...

Respira fundo, Cris. Não é pra parecer atirada, nem quando a gente tá se atirando!

- Oi, Vadinho, oi, meninos! Gostando da festa?

- Oi Cris. Até que enfim alguém que não me chama pelo nome inteiro...

- Eu posso dizer o mesmo (“Xiriguidum, até a voz dele é interessante! Mas pela frase, o nome dele deve ser uma derrota também. Mas quem sou eu pra reclamar?”)

- Oi, acho que ainda não nos conhecemos, sou a Cris, do terceiro semestre de jornalismo, muito prazer.

(Grande, menina! Baita profissional!).

- Oi Cris, meus amigos me chamam de Focé, acabo de me transferir de São Paulo pra cá, estudo Economia.

- Interessante, meu pai se formou em Economia.

- Ah é? E ele exerce a profissão?

- Na verdade não, depois de se formar, ele estudou Filosofia e passa a vida pensando e tocando violino.

- Nossa, que coincidência, aconteceu exatamente a mesma coisa com o meu pai!

Momentos de silêncio, daria pra ouvir o cricrilar de um grilo, até a música teve uma pausa súbita. Começa a tocar a Dança do Quadrado. Cris, muito desconfiada:
- Focé, esse é o teu apelido, né?

Focé, aparentemente muito desconfiado:

- Sim... Cris, né?

- É. Meu nome é meio esquisito, não tanto quanto Davaldísio, mas meu pai tem uma certa fixação por Shakespeare, meio que se empolgou quando foi me registrar. Aliás, meu nome foi a causa da separação dele com a minha mãe.

- Não acredito. Tu é a Julieta Cristina, minha irmã?

- Adolfo Célio, o que começa os emails com "não sou dado a redigir longas missivas"? É pra rir ou pra chorar?

- Deve ser pra rir, a única menina que me interessou na festa é minha irmã, tem coisas que só acontecem comigo mesmo!

- Não mano, isso é de família! Vamos dançar?

- Eu não sei dançar funk...

- Sem problemas, minha amiga Antônia me ensinou a dançar essa lá na facul. É assim ó: ado, a-ado, cada um no seu quadrado...

29 de nov. de 2010

Um brinde às amigas

- Juju, eu ganhei uma garrafa de cachaça de pitanga, tem um sabor maravilhoso. Me deu um ânimo que estou com vontade de fazer um jantar pra gente beber.

- A gente? Mãe, onde eu entro nessa história?

- Convidando nossas amigas para virem aqui em casa.

- Minhas amigas, você quer dizer.

- Nossas.

- Mãe, elas são minhas amigas. M-I-N-H-A-S. Não é porque você escuta atrás da porta pra dar conselhos furados, que elas te consideram amiga.

- Elas gostam de saber minha opinião.

- Elas fingem que gostam.

- Elas sempre me ouvem.

- Pra fazer o contrário do que você diz.

- Convida elas, assim saberemos.

- Tá.

- Manhêêê, o que são essas bolinhas vermelhas no fundo dessa garrafa?

- É filhote de abóbora, bocaberta, não mexe nisso, coisa.

- Mãe, olha a Julieta me xingando.

- Parem vocês dois. Juju, vai ligar ‘pras’ nossas amigas e Paulo Afonso, me devolve isso aqui que não é pro teu bico.

- O que são mamãe?

- Pitangas.

- Ah! Adoro tudo o que tem pitanga.

- E o que não tem também, gordo infame.

- Sai Julieta. Não ouviu a mãe dizer pra você ligar para as amigas de vocês? Né mãe?

- É... vocês dois!

E no jantar, com as amigas...

- Quero propor um jogo.

- Mãe, isso não vai dar certo.

- Ah Cris, deixa tua mãe falar, pode ser divertido.

- Ouviu, Juju? Bom, a idéia é a seguinte: como aqui estamos apenas entre amigas, vamos fazer o jogo da verdade, quem mentir e ser desmascarada toma um ‘martelinho’ dessa maravilha que ganhei.

- Mãe, do jeito que as gurias são, vão mentir de propósito.

- Cala a boca Cris, a gente não vai fazer isso.

- O jogo acaba quando acabar a bebida.

- Feito.

“Jogo já terminou? Ah sim, todas bêbadas, menos a mãe, ela conseguiu perguntar pra todo mundo se elas realmente a consideravam como amiga. Hahaha, deve estar desolada. Azar, foi ela quem inventou o jogo.”

“Ei, eu não consigo me fixar na conversa, tô me sentindo atolada nesse sofá. Mãe, o PA ta comendo as pitangas. Mãe, olha ele. Mãe, cuida. Peraí, eu não consigo falar, minha língua ta amortecida”
- Que porcaria de lugar é esse? Acho que já estive aqui. PA, o que você faz nessa cama... com soro?!?!

- Você também tá tomando.

- Como é? Opa. É verdade!

- Mana, enfim concordamos em algo. Entramos em coma alcoólico.

- Ai não. Morri!