29 de out. de 2010

Conto do dèjá vú de Natal

Especial do Roberto Carlos na Globo, os outros canais com a programação ainda pior. Ela zapeia, mas não há muito o que assistir. Ele, de boca aberta, ronca ao lado dela.

"Nos lençóis macios, amantes se dão,

travesseiros soltos, roupas pelo chão"

O dia dela foi horrível, sem colocar o nariz pra fora de casa. Ele saiu pra “pedalar" um pouco e voltou três horas depois, bêbado. Os amigos ligaram chamando-a pra sair, mas ele tinha levado a chave e a carteira. Quando ele chegou, ela já estava com os olhos tão inchados que nem maquiagem disfarçaria. Se reclamar, ele briga. Se chorar, ele briga. Se ficar quieta, ele briga dizendo que ela está disfarçando.

Ela não sabe mais o que fazer, o que dizer, o que vestir pra que ele note que emagreceu. Ela não sabe mais que tipo de atitude tomar para que ele, só uma vez, a elogie. Pode ser um elogio pela escolha adequada da roupa, por sua criatividade, pelo seu bom humor mesmo com tudo que tem passado, ou talvez por ela não precisar usar maquiagem. De fato, não precisa. Só quando ele a faz chorar.

28 de out. de 2010

Devaneios da Ju… digo, da Cris

Droga! Em plena sexta-feira, eu não posso sair. Por uma boa causa, minha defrisagem sem química na franja ficou luSHo, mas tá chovendo a cântaros lá fora e eu não posso molhar o cabelo até amanhã às 4 da tarde. As mechas californianas ficaram show também, mas não posso tomar banho de piscina senão vai esverdear tudo. Ah, vou passar o carnaval por aqui mesmo, só tenho um baile pra ir, segunda... Bem feito pra mim, vou arrumar emprego em shopping bem nessa época do ano? Espero que o Beto não vá ao baile. Saco cheio de ficar com ele só pra não dormir no 0x0... Acho que foi por isso que ele ganhou o apelido de Mac, é igual a sanduíche do McDonald’s, a gente sabe que é uma droga mas come do mesmo jeito, e paga caro por isso. Ah não, foi a Tati que deu o apelido, porque o Beto tá sempre de volta pro meu futuro. Inferno! Sempre que eu acho que minha vida vai melhorar, eu tomo uma cacetada. Nem pra ser um pé na bunda, que ia me fazer dar um passo pra frente.

(celular toca)

- Oi, Adolfo (“puta merda, tão lindo e com esse nome podre”)!

- Oi, Cris.

- E aí, tudo certo pro nosso cineminha, amanhã?

- Então...

(“Droga, quando começa por ‘então...’ é porque fudeu).

- É que minha mãe, que mora em Londres, veio pro Brasil e tá me esperando em Porto Seguro, tô indo pro aeroporto agora. Só liguei pra te pedir desculpas, quando eu voltar a gente combina outra coisa. Até mais, bom feriado.

Filho da puta, nem me esperou responder e desligou! Tomara que ele passe todos os dias ouvindo Creu e Bonde do Maluco, tomara que a Ivete Sangalo menstrue em cima do trio, tomara que a Cláudia Leitte azede, tomara que enfiem a banana do Chiclete no meio do rabo desse desgraçado! Péra, não posso chorar, senão molha meu cabelo. Ah, também, que é um peido pra quem já ta cagada?

(liga o rádio)

Ai, xiriguidum, meu amor tá no ar! Que coisa mais de adolescente, paixonite por locutor de rádio... Pior é ter ido ao estúdio visitar a galera e ficar com cara de bunda olhando pra ele. Não ofereci uma bala, não chamei pra tomar uma cerveja, nada. Nem lembrei daquele dia em que ele me viu com o Beto (maldito Beto, sempre me atravancando) no bar...”que desperdício, hein morena?”, olhando pras minhas pernas... Droga! Ainda bem que ele não viu que logo depois eu fui sair de perto do balcão, tropecei na escada por causa do salto fino e caí no meio da pista. Por que eu insisto em usar salto fino? Aliás, por que eu insisto em usar salto? Por que eu faço o possível pra parecer elegante e feminina, se eu não sei ser assim?

Por que eu não saio de All Star? Tá, porque a mãe fala que eu pareço um pingüim, toda de preto e de All Star. Mas o preto disfarça minhas “bordas de catupiry” na cintura, disfarça meu culote... Preto emagrece, porra! Menos, Cris, o que emagrece é regime...

Ai “G-Zuis”, ligo pra rádio? Hora de participação de ouvinte... eu podia pedir uma música bem cabeça, diferentosa, meio Tom Waits, tipo o Fito. Putz, mas nesse horário só toca música modinha. Aieeê, não consegui ligação! Droga de telefone sem fio que demora a fazer redial! Putz, essa imbecil pegou minha vez de falar com meu muso pra pedir Burguesinha? Ah, vai carpir descalça, vadEEEEa!!

Não tem nada pra ver na TV, não tem nada pra ouvir no rádio, não tem nenhum recado no meu Orkut... onde foi mesmo que guardei as giletes e o álcool?

Vou cortar os pulsos...

(abre a porta)

- Jujuuuuuuuuuuuu!!

- Seu gordo agobento, o que tu quer agora???

- Fiz pipoca doce de microondas, a mãe pegou Piratas do Caribe pra gente olhar, vamo pra sala?

Ai ai... eu amo esse guri!

26 de out. de 2010

Conto escrito no guardanapo

Repentinamente, surpreendentemente, ele a convida pra jantar.


"E então ela se fez bonita, como há muito tempo não queria ousar, com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar. Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar, e cheios de..."


Cheios de silêncio, entraram no carro e foram ao restaurante. Foram recebidos pelo chef, um amigo de vários anos, e conduzidos à melhor mesa, perto da janela, onde uma leve brisa refresca o ambiente e ele pode fumar. E por mais que ela diga que fumar em restaurantes é falta de educação, ele não consegue se abster.


"O que você quer comer, amor?", pergunta ele, esperando que a resposta seja a mesma de sempre. Mas desta vez não foi. "Amor, eu sei que você não gosta de pizza, mas eu tô morrendo de vontade. Quem sabe pedimos uma brotinho de calabreza pra mim e uma porção de filé com fritas, que você gosta tanto?". Ele ficou um pouco emburrado, deu um sorriso que não chegou aos olhos e "quem sabe a gente escolhe algo que os dois gostem, pra comermos juntos?". Ela já sabe o que responder..."certo amor, vamos pedir o filé com fritas e frango a passarinho".

E ficou pensando... “o que adianta eu fazer dieta e ginástica pra depois comer isso? E porque eu sempre peço o que ele gosta de comer, se ele só gosta de comer isso? Ele acendeu um cigarro, ela prestava atenção aos nomes assinados nas paredes do restaurante. O pedido chegou, eles pediram uma cerveja e começaram a comer. Em silêncio. Eles aparentemente não têm mais assunto, por mais que ela tenha tanta vontade de conversar. Tantas novidades, alguns textos interessantes que leu sobre o cd novo daquela banda legal. Mas ela já cansou de monólogos.

25 de out. de 2010

Bom Diaaaaaa!

- Jujuuu... você não vai trabalhar hoje? diz Paulo Afonso entrando correndo no quarto da irmã.

- Seu gordo infame, meu celular nem despertou ainda e você vem me azucrinar? Vai chupar uma meia!!!

- Maníssima: “é” 8:25h, já...

- Como assiiim?

Juju, ou melhor, Cris salta da cama e escova os dentes enquanto procura uma roupa pra usar, pega o primeiro jeans rasgado que aparece, uma blusa ‘I love Floripa’ e calça uma mule por ser mais rápido, cospe a pasta de dente, sai de casa correndo, esquecendo de pentear seus cabelos que resolvem imitar uma samambaia naquele dia.

- Boa tarde Julieta!

- Oi Chefinho. Ele fingiu um sorriso. “Sempre tem que ter um engraçadinho. A sorte dele é ser meu chefe”, pensou.

- Desculpe o atraso, mas meu celular ficou sem bateria e...

- Não estou cobrando explicações, apesar que espero que isso nunca mais se repita. São 08h45min, ou seja, quarenta e cinco minutos descontados do teu salário. É ruim para você. Já vi que você não esqueceu do meu aniversário, e dos convidados que teremos, aqueles Desembargadores catarinenses que devem estar por chegar. Formalidade “afú”, como diria meu filho. Você veio no clima.

“PQP. Aniversário do chefe, segunda-feira, formalidades, desembargadores catarinenses, como me vesti tão rápido? Vai cerebrozinho, processa isso, engole, toma no rabo, é isso que você me faz passar? Logo eu que sou tão boa com você? Passo informações legais pra ti o dia todo e é assim que você me retribui?”

- Julieta! Julieta! JU-LI-E-TA!

- O.. er.. OI. Desculpe chefe!

- Acordou, já? Tá em transe?

- Desculpe, não vai se repetir!

- Então faça o que eu lhe mandei!

- Sim senhor, chefe.

- Outra coisa, não me chame de chefe, sou teu superior, porém, devo ser chamado com formalidades.

- Certo Dr. Roque, desculpe mais uma vez. (“Eu ainda mato ele”)

- Agora pode ir

“ O que ele pediu para eu fazer? Cérebrooo! Só me apronta essas.”

- Che... Dr. Roque?

- Fala Julieta - É... tipo... o que é mesmo que o Senhor pediu para eu fazer?

- Julieta, hoje não é teu dia, minha querida. (“Sério? Nem percebi”)

- Eu pedi pra você ajudar a dona Suélen, da cozinha, levar os doces, salgados e cafés até a sala de reuniões, onde receberei meus convidados dentro de 10 minutinhos.

- Ah, sim senhor (“Merdaaa!, eu não acredito que ele pediu pra fazer isso! Me contratou para escravaaa! Lixo de dia, eu quero um emprego novo, quero um dia novo, eu quero ser livreee... ai como eu odeio isso tudo. Ta, respira fundo, 1,2,3..”)

- Dona Suélen, vim ajudar a senhora a levar as coisas para a sala de reunião.

- Minha querida, que bom, os convidados já chegaram, falta só levar o café que já to levando os doces.

- Tudo bem, deixa comigo.

- A propósito, querida, você podia prender o teu cabelo, do jeito que esses ‘home’ são, vão pensar que tu quer esconder alguma coisa aí nessa macega.

- (“eu não acredito que ouvi isso”) Obrigada dona Suelen, já estou fazendo e logo levarei o café!

- Deixa eles servido!

- Deixa-los-ei (“ ó, portuguê-es”)

***

- Companheiros, essa é minha secretária de confiança e estagiária, Julieta.

- Bom dia a todos.

- Bom dia, Julieta.

“Droga, derrubei o café na minha calça, e agora? Aiii. Porcaria, ta me queimando. Assopra, isso, passa vergonha, infeliz”.

- Julieta, chame a Dra Marlene para juntar-se a nós.

- Sim senhor, ela responde, saindo mais rápido para ninguém perceber a sujeira em sua calça, quando vira o pé e cai no meio dos convidados com a cara na porta. “Que vergooonha, seu mule idiota, sapato cretino, eu te odeio, nunca mais coloco os pés em você... e tinha que ser o convidado mais feio pra me ajudar a levantar. Odeio agradecer com vergonha . Odeio convidados feios"

Juro por Deus. Tem dias que é preferível faltar ao trabalho!

22 de out. de 2010

Conto de uma tarde qualquer

Mais uma vez, ele... e ela. Local: no parque, centro da cidade.

Estavam os dois sentados na grama ao pé de uma árvore. Ele com seu mp3 ouvindo entre risos, o “Café das 5”. Ela ressonava ao seu lado. Mãos dadas. Ela acorda e aperta a mão dele, que olha pra ela, e sorri. Ela retribui o sorriso.

À frente deles corre uma menina ao encontro de um menino. Deveriam ter aproximadamente 17 anos. Na mesma hora, ela... e ele entenderam: o amor acontecia ali, aos seus olhos.

Então pensaram, cada um em sua individualidade, bem naquela de quem pensa com os próprios botões: “Porque nunca senti isso?”

Ninguém entenderia. Ele, acostumado com a presença dela, o jeito que ela sorria, como resolvia as coisas, tinham gostos parecidos, ela era uma louca tão centrada nas coisas, que ele via nela uma raridade. Ela gostava do abraço dele, do cheiro. Gostava do humor, de como ele era independente, responsável, era seu porto seguro.

O amor, ele e ela duvidavam que existia, mas enxergaram na sua frente essa prova. O amor ao vivo, acontecendo, naquele beijo tão apaixonado. “Porque não sinto a necessidade do beijo dela?” “Porque não sinto necessidade do beijo dele?”, era o que pensavam, ele e ela, enquanto levantavam-se para ir embora.

De mãos dadas, conversando, juntando-se lado a lado num abraço, rindo e conversando sobre o dia que tiveram. Ouvindo a “Hora do rush”, Mauro Borba, o locutor, toma alvejante e coloca Lulu Santos. Ela com o fone dele na orelha direita, ele com o fone no ouvido esquerdo, cantando baixinho:

Eu não pedi pra nascer
Eu não nasci pra perder
Nem vou sobrar de vitima
Das circunstâncias
Eu tô plugado na vida
Eu tô curando a ferida
Ás vezes eu me sinto
Uma mola encolhida
você é bem como eu
Conhece o que é ser assim
Só que dessa história
ninguém sabe o fim
você me leva pra casa
E só faz o que quer
Eu sou teu homem
você é minha mulher
E a gente vive junto
E a gente se dá bem
Não desejamos mal a quase ninguém
E a gente vai à luta
E conhece a dor
Consideramos justa

Toda forma de amor

Eles descobriram com o passar do tempo que o que sentiam era amor, sim, o mais inocente, puro e doce amor. A paixão talvez não habitasse naqueles coraçõezinhos, não fazia nem ele ou ela explodirem um sentimento dentro do peito, não chegavam ao ponto de enlouquecer de saudade, não sentiam falta de ar quando estavam distante, mas eles se amavam...

O acaso (para quem acredita) fez com que conhecessem, um ao outro, e esse mesmo acaso (repito, para quem acredita) faz com que estejam juntos até hoje. Para eles, a certeza que isso já estava escrito na vida de cada um. O destino já havia se encarregado de marcar o primeiro encontro deles, o papo dela e a atenção dele se encarregaram do resto.

Ele a ama. Ela o ama.

21 de out. de 2010

E hoje é sexta-feira

- Ah, mãe, hoje não!

- Julieta Cristina, hoje sim! Tenho reunião com a turma da biodança e depois vou tomar um chopp com meu namorado, tu vai ficar com o teu irmão, sim!

- Namorado? Tu não tinha quebrado todos os vidros do carro dele quando descobriu que era casado?

- É outro. E não te mete com a minha vida.

- Mas mãe, passei a semana toda de dieta pra ir nessa festa de hoje e...

- Nem mais mãe nem “menas" mãe, e o cara do salão ligou, tu ta devendo uma tal de defrisagem sem química e umas mechas hollywoodianas.

- Não se fala “menas", mãe, é menos... e as mechas são Californianas, não hollywoodianas. São essas pontinhas mais clarinhas aqui ó... Pelamordedeus, mãe, o gato mais gato dos gatos lá do shopping me convidou pra ir no cinema antes da festa!

- Não me interessa, teu irmão tem nove anos e não pode ficar sozinho em casa. Eu tinha te avisado que eu ia sair.

- Tu falou que ia sair no sábado, hoje é sexta...

- Ah, é tudo com S, tu sabe que eu confundo os dias do final de semana.

- Tá mãe, tudo bem, só não vai fazer outro filho. Eu tenho dezenove e o P.A. tem nove...

- Olha o respeito, guria!

- Tchau, mãe. Boa festa... e fecha esse botão, teu peito ta quase de fora.

Puta merda, que jeito de começar o “findi”. Minha mãe arrumou mais um namorado e eu tô no 0x0 desde o réveillon. E o pior é que a última boca que eu beijei foi a do Mac... maldito ex-namorado que não sai da minha vida. Por que ele não arruma um macho pra ele e me esquece? Saco.

- Manaaa!, to com fome!

- Não enche o saco, guri, to pintando as unhas dos pés.

- Ah, depois tu cuida desses casco aí, pede uma pizza pra gente!

- A mãe não deixou dinheiro, faz um Cup Nudles. E no teu colégio eles não ensinam plural?

- Ah, tri chato esse pico de pluraus aí...

- Ai socorro... é um miguxo surfista...

- Pô Juju, pede uma pizza aí! Tu trabalha, né?

- Guri dos infernos, não me chama de Juju! Meu apelido é Cris, CRI-IS!!! Entendeu, adotado?

- Mentira tua! A mãe já me contou que me fez quando tava brincando de rafting na Bahia, só não lembro o nome da cidade...

- Seu retar, qual é o teu nome?

- Paulo Afonso.

- Então, seu gordo ridículo, por que tu acha que tem esse nome?

- E por que teu nome é Julieta Cristina? Tem uma cidade com esse nome?

- Não, anta batizada... A mãe sempre gostou de Cristina, mas meu pai estudava Shakespeare... Aí, como nunca se entenderam em nada, me deram esse nome abençoado aí.

- Shake quem?

- Deixa pra lá, me dá a porra do telefone da pizzaria...

Juju tem que ficar em casa pra cuidar do Paulo Afonso, de 9 anos. A mãe foi fazer rafting em Paulo Afonso.

19 de out. de 2010

Conto de uma noite de verão

Barzinho sem graça e óbvio, atendimento precário, cerveja no máximo fria (e não muito barata), bandinha básica tocando um pop/rock ululante. Sim, hoje é sexta feira...

Aí, eles atacam de Skank:

"Assim ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém prá vida inteira
Como você não quis...

Tão fácil perceber
Que a sorte escolheu você
E você cego, nem nota
Quando tudo ainda é nada
Quando o dia é madrugada
Você gastou sua cota...

Eu não posso te ajudar
Esse caminho não há outro
Que por você passa
Eu queria insistir
Mas o caminho só existe
Quando você passa...

Quando muito ainda é pouco
Você quer infantil e louco
Um sol acima do sol
Mas quando sempre
É sempre nunca
Quando ao lado ainda
É muito mais longe
Que qualquer lugar...

Um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém prá vida inteira
Como você não quis...

Se a sorte lhe sorriu
Porque não sorrir de volta
Você nunca olha a sua volta
Não quero estar sendo mal
Moralista ou banal
Aqui está o que me afligia...

Um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém prá vida inteira

Como você não quis..."

Ela, já bem chateada com o silêncio na mesa - onde só estavam os dois -pergunta, após um longo suspiro:"amor, por que a gente não se beija desde quarta?" Ele, sem desviar os olhos do contra-baixo acústico:"sei lá, tu faz cada pergunta descabida, hein?"

Olhos marejados, outro suspiro, olha em volta e vê aquele cara interessantíssimo que conheceu em uma entrevista para um que ela não conseguiu, na mesa ao lado, sozinho e olhando pra ela. Ele dá um sorriso meio amarelo, levanta a mão direita ensaiando um aceno, olha pro marido dela - que continua vidrado no contrabaixo acústico - volta a olhar pra ela, desfaz o sorriso, aparentemente suspira e vai ao bar buscar outra cerveja pra beber sozinho.

Tão sozinho quanto ela, que está acompanhada na mesa.

24 de jun. de 2010

O feijão, ou o Conto Autobiográfico

“Debulhando andu, olha só onde vim parar” pensava ela, chateada.Acabara de fazer o filho dormir, escutava seu ressonar pela babá eletrônica. O outro som era a música que vinha do notebook do seu marido, que trabalhava em uma mesa à sua frente. E ela debulhava andu de cabeça baixa, no escuro. Chateada, incomodada com seu presente, sem perspectivas para um futuro próximo, sentindo-se sozinha e pouco estimulada.
Andu, um tipo diferente de feijão. Feijão dá gases em seu bebê, ela nem vai poder comer a tal famosa farofa de andu. Ela plantou, ela cuidou, ela colheu, ela debulhou, ela vai cozinhar, ela vai temperar. E ela não vai comer.
Debulhando andu de cabeça baixa, no escuro, ela começou a reparar que o marido escutava uma pasta de músicas que ela criou. Mais, percebeu que ele cantarolava. Começou a cantarolar com ele.Passaram a conversar sobre as músicas, sobre as sensações que lhes traziam. Lembraram de situações que tiveram essa ou aquela música como trilha sonora. Falaram do crescimento do seu filho, falaram de como sua casa está bonita, ainda que inacabada. Riram do mau cheiro do cachorro, preocuparam-se com as contas bancárias.
Debulhando andu de cabeça baixa, no escuro, ela foi percebendo que seu presente estava bem melhor do que previra há alguns meses. Previra que não conseguiria emagrecer após o parto, que não conseguiria cuidar bem do filho, sequer sonhara em dar banho ou trocar fraldas. Imaginara que passaria por tudo isso sozinha, sem auxílio, sem diversão ou momentos para desopilar.
Debulhando andu de cabeça baixa, no escuro, sentia o vento de inverno que finalmente trazia frescor para uma cidade tão quente. Sem levantar os olhos, sentiu-se bem por estar em sua casa, com seu filho lindo e saudável dormindo calmamente, com seu marido que cantava á sua frente.
Ali, debulhando andu de cabeça baixa, no escuro, ela viu-se feliz. Sem enxergar um palmo à sua frente, no escuro, sem perspectiva de uma melhora em sua condição visual, sem se preocupar com isso.Ali, debulhando andu de cabeça baixa, no escuro, começando a sentir frio nos pés, sorriu e disse, sem erguer os olhos:
- Acabei de viver um momento feliz.

27 de mai. de 2010

A mãe solteira

Meu querido diário!

Passei a noite velando o sono do meu filho. Agora entendi a letra da música do Legião Urbana que diz “gosto de ver você dormir que nem criança, com a boca aberta”. É assim que meu filho dorme, com a boca aberta. Passei a noite velando seu sono e pensando no nosso futuro. Aliás, no futuro dele, porque é disso que depende o meu futuro.
Quando me descobri grávida, não soube o que fazer. Você bem sabe diário, tantas páginas escrevi sobre isso. Pensei em tirar, em darpara adoção, em implorar que o pai dele ficasse comigo, em pedir que
meus pais cuidassem dele... até que resolvi peitar minha vida e ficar com meu filho. Acho que acertei.
Aquele desgraçado do meu ex não me ajuda com nada. Ontem mesmo precisei comprar paracetamol, a vacina inflamou de novo, e eu tive que pedir dinheiro emprestado pra minha vizinha. Morri de vergonha, mas ele tava com tanta dor, pobrezinho... Acabou que o remédio fez ele dormir bem, mas eu perdi o sono. Ainda bem que tenho bastante leite, sei que não teria condições de pagar R$20,00 numa lata de Nan que dura 3 dias. Já não basta pagar R$10 num pacote de fraldas que dura dois dias!
Não quero pensar em como vai ser quando acabar minha licença, ou quando chegar a idade escolar. Minha vida tá muito difícil, já era complicado quando eu não sustentava ninguém. O que será que ele vai
pensar de uma mãe que não pode dar nada do que ele quer ou precisa? Que anda mal arrumada, com a raiz dos cabelos ficando branca e sem grana pra uma tinta, por mais barata que seja? Será que o carinho que dedico a ele será suficiente?
Será que o amor que tenho por ele, a dedicação, as noites em claro e a dor indescritível que sinto nas costas depois de amamentar, será que isso tudo vai fazer diferença? Ou será que o desgraçado do pai dele vai simplesmente chegar aqui com o carro do ano e vai levar meu filho? Sei lá, eu me deixei enganar por ele tantas vezes...
Sei que nunca pude imaginar que seria tão simples me deixar em segundo plano. O que importa é meu filho, sua saúde e bem estar. Não importa a má vontade dos meus pais, não importa o que meus avós e tios tem falado de mim, não importa que o desgraçado do meu ex ache que o filho não é dele. Aliás, não é mesmo.

É só meu.

19 de mai. de 2010

O ÚLTIMO SUSPIRO

“Nada mais depressivo que o inverno”, pensava ela enquanto olhava pela janela, o lago que há alguns meses estava envolto de gente cantando, gritando e rindo. Não era um inverno qualquer, foi o primeiro inverno em que ela sentiu a solidão bater diretamente em seus ossos, sentia-se fraca, a dor atravessava o peito. Dor não feita pela doença, mas a dor marcada pela ausência de sua própria vida, sentia que era tarde demais para tentar qualquer recomeço.

A única companhia que tinha era seus pensamentos. Só guardava memórias de sua infância e adolescência na casa da tia Thereza, uma senhora rica, bonita, viúva e tímida. “Thereza é realmente nome de tia, nunca consegui imaginar uma criança com esse nome”. Pensamento que a fazia acreditar que sua tia realmente não tivera infância, pois, nunca soube absolutamente nada do passado da tia Thereza em tantos anos de convivência.

“Será que foi minha tia que deu meu nome? Miguelina não parece ser coisa de gente de bom coração. É nome de santo católico frustrado. Meus pais não deveriam me odiar tanto quando eu nasci.”

Mas estava cansada demais para lembrar-se de qualquer coisa. Deitou-se na cama e pela janela olhava as árvores tão vazias de vida quanto ela. Ainda enxergava os pássaros e também os ouvia cantar alegremente como se a vida deles dependessem daquele tão maravilhoso canto que ela nunca tinha percebido o quão bonito era. Mesmo sabendo que a primavera voltaria colorir a paisagem, sabia que não chegaria a vê-la.

“Eu já enfrentei a perda, a solidão, a rejeição, o desamor, várias vezes, mas é a primeira vez que fico cara-a-cara com a minha própria morte. Engraçado eu não estar assustada, pensei que teria outra reação quando estivesse nessa situação. Nunca imaginei que desfalecer seria um alívio. Minha mente diabólica ainda consegue pensar que tem gente que não merece morrer, deve ficar perpetuamente uivando por aí.”

E o pensamento, ou o péssimo pensamento foi se esvaindo, ao poucos também o ar já não enchia os pulmões. Imaginou-se além de um infinito qualquer, sentiu leveza, sorriu e assim sua vida se desfez.

17 de mai. de 2010

Na linha do tempo

“Minha filha pensa que me passa pra trás. Só naquela cabeça oca mesmo pra pensar uma coisa dessas. Tudo bem que com a idade dela eu já era mãe, dela, óbvio, mas eram outros tempos. Antigamente ter filhos com 15 anos era normal. Tá, nem tão antigamente assim, não sou tão velha, mas era normal.”

“O espelho mostra que estou em forma. Credo! Que corpo que tô, praticamente igual ao da minha filha, não falo nada pra ela não se sentir ofendida, mas que estou com tudo em cima, isso tô.”

“Nem pensar que ela vai arrumar um namorado, minha garotinha é uma criança, não deve nem saber beijar na boca direito. Eu, com a idade dela era muito mais madura, visivelmente, estava no segundo namorado, nunca deixei eles me fazerem de boba.”

“O pai dela foi o grande amor da minha vida, eu sabia disso já naquela época. Um homem muito culto e honesto, nunca precisou de escola e, quando soube da minha gravidez comprou uma moto e foi viajar a procura de um emprego que desse melhores condições a nossa filha. Humilde que só ele, levou apenas uma mochila nas costas. Lamento tanto o destino que teve. Ser seduzido por uma mulher da vida e ser obrigado a casar com ela não deve fazê-lo feliz. Como casar sem amor? Nem imagino como o coitado se sente.”

“É fogo, viu? Não é fácil trabalhar 20 horas por semana, cuidar da minha filha, da casa, ir fazer compras, atender as amigas e tudo estando de ressaca... mas vale à pena. Essas festas em plena quarta-feira é o que há de bom. Só vai gente de nível, trabalhadores mesmo, de terno e gravata. Celular de última geração e ficam falando difícil pra tentar impressionar, certo que é.

“Tolinhos!”

“Eu sei muito bem que eles estão querendo me namorar e disfarçam. Tentam disfarçar, melhor dizendo, mas eu vejo os olhares e faço até leitura labial. Sei que eles falam das minhas coxas à mostra pela minha ‘micro-minissaia’ laranjada. Adoro ela. Combina com minha blusinha azul que salienta as curvas do meu corpo.”

“Me respeito! Não vou namorar quem só me acha bonita, eu tenho minha inteligência e ninguém parece notar porque a visão do meu corpo toma conta, preferem que eu fique calada. Injusto! Essa sociedade só dá valor à imagem”.

“Ainda bem que a mamãe resolveu ficar com minha filha por uns tempos. Ela me cuidou muito bem, vai saber lidar com a minha filha que agora eu mesma me cuido, e muito bem, por sinal”.

10 de mai. de 2010

Tapada de Nojo - I

Ainda tô de cara com esse papo de excomunhão.

Quem esse Papa pensa que é pra expulsar as pessoas de suas casas? Aí precisa vir o outro Papa pra dizer que as pessoas podem voltar. Sacanagem, alguém aí mais alto na hierarquia eclesiástica (adoro termos difíceis) poderia dar o veredicto (adoro!): fica ou não fica. Coitada da mãe da menina, não sabe se pode ou não voltar pra casa.

Palavra esquisita, “excomungar”. Por que não usam expulsar logo? Excomungar me faz pensar em camundongos, e Igrejas normalmente são lugares velhos cheio de velhos lá dentro, isso expulsa as pessoas de lá!

Vai ver é por isso que tem esse nome. Mas também não precisava fazer a pessoa procurar outra casa, podia só ficar um tempo sem ir na missa, tipo cartão vermelho no futebol: fica um tempo fora do jogo, mas quando o técnico chama ele já pode voltar.

Aliás, até queriam colocar cartão laranja no futebol, mas já se confundem com o azul e o vermelho, imagina com mais um?

Bom, já desabafei, semana que vem eu volto com mais uma CRÔNICA DA TAPADA DE NOJO, porque o dia-a-dia anda nojento!

Pai - 1

Oi pai!

Sempre me surpreendendo, né meu velho...

Quando eu ia imaginar que você, aos 63 anos, ia aceitar tão bem o divórcio? A idéia de visitar o tio, aí no Mato Grosso, foi genial. Mais genial foi conquistar a vizinha de 30 anos, hein tigrão? Agora me surpreende mandando torpedo pra dizer que tá com internet em casa. Depois te passo os links pros sites de sacanagem que você pediu, tem um de peitudas que é a sua cara!

Ô pai, lembra da Jane? Aquela minha primeira namorada que fugiu com o filho do prefeito pra casar e logo depois ficou grávida e eu quis me matar? Eu a encontrei no orkut, continua uma delícia. Por acaso encontrei a filha dela, Juliana. Sei não, mas ela – a Juliana – é muito parecida com a minha mãe. O formato dos olhos, o dente separadinho na frente, a sobrancelha bem arqueada. Olhei a data de nascimento dela e me assustei, ela nasceu em novembro, exatamente 9 meses depois do carnaval que eu passei com a Jane no camping. E ela fugiu com aquele cara na Páscoa, que pelo que sei é 40 dias depois do carnaval. Tá certo que eu tinha 16 anos e o babaca 21, cheio de dinheiro, coisa que eu sou agora e ele tá falido, a mana me falou. Na boa, tô meio assustado com a possibilidade de ter uma filha de 24 anos, muito bonita, ainda mais filha da Jane que foi meu primeiro amor. Não vem me chamar de viado, ela foi meu primeiro amor mesmo, viadagem é usar camisola rosa igual o jogador do teu time lá.

O que mais me preocupa é que eu poderia pegar a moça na balada sem saber! Ela é muito bonita, tem a idade das mulheres que eu pego normalmente, não sou um maníaco pra comer minha própria filha! Se bem que eu comeria se ela não fosse minha filha, é muito gata! Aliás, se ela for mesmo, você já é avô! Hahahahaha

No mais era isso, ainda não dá pra ir visitar o senhor. Felizmente tô cheio de projetos pra entregar lá na empreiteira, umas obras pra vistoriar, troquei de carro e ainda tô me acostumando a ter que trocar de marcha de novo. Nunca mais compro carro automático, tira todo o prazer de dirigir, bem que você me avisou.

Vê se faz um msn, fica mais fácil de conversar. A Samanta te chamou de pai desnaturado por não mandar torpedo pra ela também, mas a besta trocou de número de celular e nem eu sabia. (e esqueceu da portabilidade, a burra. Tinha que ser loira, mesmo contra a natureza morena.)

Abração pai, fica bem aí!

Alex

P.S.: a Juju, aquela gatinha que eu conheci no carnaval, não me quis, falou que sou muito velho pra ela hahahahah. Quase peguei a mãe, que é bem boa, mas vi na festa à fantasia vestida de Mulher Maravilha acompanhada de um velho, aí perdi o tesão.

7 de mai. de 2010

Ao Sr. Mero Desconhecido

Olá Sr. Mero Desconhecido.
Muito provavelmente estás me julgando sem saber quem eu na verdade sou. Contigo eu sou quem eu nunca fui. Sou estrela de cinema e Hollywood não me deve explicações. Eu beijo o mocinho e o bandido sem qualquer pudor. E eu te conto promiscuidades, deito e rolo e você ainda se excita.
Tonto!
Não sabe e nem irá saber que guardo segredos que jamais compartilhei com alguém, e muito menos deve saber que eu escrevo sobre a tua vida.
Ah sim, eu escrevo, e ainda descrevo cada passo teu. Ridículo de minha parte, mas me diverte e me faz tremer em extase ver tua vida cuspida e escancarada.
Eu jamais fiz quaisquer das histórias que te contei. É, são estórias. Estórias não acontecem, tolinho. Tudo o que te digo não passam de devaneios da minha mente cheia de vontades.
Você ainda não sabe que me consideram uma pessoa criativa? Tão criativa que invento mentiras, e todas elas te impressionam. Eu ganho toda a tua vontade de ter a mim inteirinha, tenho a louca vontade dos teus olhos me olhando com um prazer insaciável, e eu quase me entrego, ops... volta por cima!
HAHAHA.
Eu só posso rir da tua bobeira. Minhas idéias diabólicas não passam de idéias de alguém que precisa enganar pra sobreviver. Idéias diabólicas nessa carinha de anjo que eu sei que você não consegue resistir, nem aos meus olhares e insinuações. Idiota!
Tenha todo seu desejo sobre meu corpo, tenha o teu sexo vontade de mim, mas não se engane, não te darei qualquer prazer que espera. Você não me conhece. Ah, Mero Desconhecido, você não faz idéia quem eu sou.
Nem em sonho imagina que o que quero é apenas a sensação dos teus desejos incontroláveis por mim. Só quero a sensação dos teus pensamentos já me comendo de vontade.
Desejos... desejos passam um dia.
O que eu tenho aqui, chama-se sentimento, e esse, Mero Desconhecido, esse tu nunca vai conhecer.

Só sei que sinto

Têm vezes que eu gostaria de não sentir. Eu sinto medo e sinto gosto de sangue na minha boca. Sinto cheiro de vela, sinto minha pele arrepiar, sinto meu olhar se perder e percebo a escuridão.

Minhas veias pulsam querendo rasgar meu corpo. Meus dentes se apertam, meus lábios se cerram, nos pulmões já não entra ar.

Segundos se passam.

Ao voltar os sentidos o pensamento de que tudo foi um pesadelo.

Eu acho…

O homem da minha vida

Conheci o homem da minha vida: analista de sistemas, 30 anos, mora sozinho, descompromissado, sem filhos, antecedentes de relacionamentos sérios e duradouros, boas influências profissionais, rico e bonito. Todas informações tirei dos nossos amigos em comum, exceto o ‘bonito’ que ficou por minha conta.

Reunião de negócios é um saco, fato! Quando aquele cara chegou eu simplesmente perdi o fôlego e automaticamente me diminuí dentro daquela sala. Aquele sorriso branco, perfeito, veio exatamente em minha direção me extasiando e derrubar o café na minha roupa foi quase inevitável.

Entre esse momento e o final da reunião eu me lembro de pouca coisa a não ser a corrida até minha casa pra trocar de roupa. Adoro morar no mesmo prédio do meu trabalho.

Voltando a ele. Ó Deus! Não esperava o convite para sair naquela noite, apesar de que eu quis desde o primeiro instante e não consegui esconder a ansiedade quando aceitei. Foi o ‘quero’ mais gritado da minha vida.

Ele é melhor do que eu imaginava. Tem um carisma de dar inveja. A classe média parecia estar estampada na minha testa a cada segundo do jantar e ele parecia se divertir com isso. Óbvio que ele percebeu que não tenho talento pra comportamento excepcional em restaurantes chiques e carérrimos, mas a simpatia dele me fez sentir à vontade naquele lugar cheio de gente que brilha. Ah sim, brilham mesmo, tanto na roupa quanto nas jóias e pasmem, até nos sapatos.

Não é o fato de eu estar mal vestida os outros é que realmente exageram. Homem sem terno ali só os garçons. Aliás, o homem da minha vida de terno é tudo de bom. Pensamentos depravados me fizeram imaginar ele sem o terno, mas isso só fez com que eu bebesse mais vinho do que meu organismo é acostumado. Nunca tinha reparado o quanto vinho deixa as pessoas sensuais. Azar, eu me senti uma diva.

A noite foi bem interessante mesmo, ri muito e nem sei bem dizer o porque, mas eu ri. Tudo foi tão perfeito, ele um gentleman a ponto de puxar a cadeira pra eu sentar, fato este que quase me fez cair no chão mas sempre acredito nas boas intenções das pessoas. Quando ele abriu a porta do carro tanto pra eu entrar quanto pra sair chegou a me arrepiar, até porque eu não tinha outra alternativa, esses carros modernos conseguem trancar a gente dentro deles. Coisa de louco!

Enfim, tantos detalhes e agora estou eu aqui, babando por esse homem que me fez ganhar o dia que pra mim já havia nascido morto e eu sou tonta o suficiente pra ter esquecido de perguntar o nome dele. Como será que ele se chama?

25 de jan. de 2008

Explicações pertinentes

Amamos escrever contos, e não são todos sobre "Ele e Ela", esse casal de trinta e poucos anos que se ama, só às vezes não se lembram ao certoos motivos.
Falaremos também da Cris, essa pós adolescente e pré adulta, decidida, moderninha e estabanada, que trabalha, estuda e se diverte. Normal, assim como todos nós.
Todos os contos são baseados em fatos casos reais. Alguns aconteceram comigo, outros com você, vários ainda vão acontecer com alguém, mas todas as situações são plausíveis.
Sugerimos que a leitura seja cronológica, leia primeiro o conto inicial (no caso dos "Ele e Ela" postado em dezembro) e assim por diante, pra não se confundir com os personagens.
Comente se quiser, mas o que a gente quer é ver todo mundo se divertindo!